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	<title>Blog do Psique.org &#187; meditação</title>
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	<description>Psicanálise - Terapias - Grupos</description>
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		<title>O que é a vida natural?</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Oct 2011 15:39:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marilda Limberger</dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[meditação]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><p><a href="http://psique.org/archives/822/sri" rel="attachment wp-att-823"><img src="/wp-content/uploads/2011/10/Sri.jpg" alt="" title="Sri" width="195" height="258" class="alignleft size-full wp-image-823" /></a>
<p> Para entender o que é a vida natural, será necessário distinguí- la do que é anti-natural. A vida depende da seleção de (1) alimento, (2) moradia, e (3) companhia. Para ter uma vida natural, os animais inferiores escolhem para si mesmo esses elementos com a ajuda de seus instintos e das sentinelas naturais colocadas nas entradas sensoriais – os órgãos da visão, da audição, tato, olfato e paladar. Entretanto, nos homens em geral estes órgãos estão desde a infância de tal forma pervertidos pela vida anti-natural, que pouca confiança se pode ter em seus julgamentos. Portanto, para compreender quais são nossas necessidades naturais, devemos depender de observação, experiência e razão.</p>
<p>O que é alimento natural para o homem? Primeiro, para escolher o alimento natural, devemos observar a formação dos órgãos que cooperam na digestão e na nutrição, os dentes e o canal digestivo; a tendência natural dos órgãos dos sentidos que guiam os animais para o seu alimento; e a nutrição da prole. Observação dos dentes. Pela observação dos dentes, notamos que nos animais carnívoros os incisivos são pouco desenvolvidos, mas os caninos bastante longos, lisos e pontiagudos, para apanhar a presa. Os molares também são pontudos; estas pontas entretanto, não se unem, mas se ajustam estreitamente lado à lado para separar as fibras musculares.</p>
<p>Nos animais herbívoros os incisivos são notavelmente desenvolvidos, os caninos reduzidos (embora algumas vezes sejam longos, como as presas dos elefantes), os molares são largos na parte superior e revestidos de esmalte só nas faces laterais. Nos frugívoros todos os dentes tem quase a mesma altura; os caninos são pouco projetados, cônicos e rombudos (obviamente não planejados para agarrar a presa, mas para exercer força). Os molares tem coroa larga revestida na parte superior de pregas esmaltadas para evitar o desgaste causado pelo seu movimento lateral, não são pontu- dos, inapropriados para mastigar carne.</p>
<p>Por outro lado, nos animais onívoros, como os ursos, os incisivos se assemelham aos dos herbívoros, os caninos são como os dos carnívoros, e os molares não só são pontudos mas também largos na parte superior, para servir a um duplo propósito. Agora, se observarmos a formação dos dentes no homem, veremos que eles não se parecem com os dentes dos carnívoros, nem com os dos herbívoros ou dos onívoros. Eles se parecem exatamente como os dos animais frugívoros. A dedução razoável portanto, é de que o homem é um frugívoro ou um animal comedor de frutas. Observação do canal digestivo. Pela observação do canal digestivo, verificamos que os intestinos dos animais carnívoros são de três à cinco vezes mais longos que seu corpo, quando medidos da boca ao ânus, e seu estômago é quase esférico. Os intestinos dos herbívoros são vinte e oito vezes mais longos que seu corpo, e seu estômago é mais estendido e de estrutura composta. Porém, os intestinos dos animais frugívoros têm de dez a doze vezes a extensão de seu corpo; seu estômago é um pouco mais largo do que o dos carnívoros e tem um prolongamento no duodeno, que funciona como um segundo estômago.</p>
<p>Não é exatamente a formação que encontramos nos seres humanos, embora a anatomia diga que os intestinos humanos tem de três a cinco vezes a extensão do corpo humano – cometendo-se um equívoco ao se medir o corpo da parte superior da cabeça até a sola dos pés, em vez de partir da boca ao ânus. Assim, podemos novamente inferir que o homem é com toda probabilidade um animal frugívoro. Observação dos órgãos dos sentidos. Pela observação da tendência natural dos órgãos dos sentidos – indicadores que determinam o que é nutritivo – os quais direcionam todos os animais para o seu alimento, verificamos que quando o animal carnívoro encontra a presa, sente tanto prazer que seus olhos começam a brilhar; audaciosamente ataca a vítima e sorve com sofreguidão os jatos de sangue. Ao contrário, os herbívoros recusam até mesmo seu alimento natural, deixando-o intacto, se nele houver o menor vestígio de sangue. Seus sentidos do olfato e visão induzem-os a escolher a grama e outras ervas como alimento, degustando-as com prazer. Similarmente, com animais frugívoros percebemos que seus sentidos sempre os dirigem para os frutos das árvores do campo.</p>
<p>Nos homens de todas as raças verificamos que os seus sentidos de olfato, audição e visão nunca os levam à matança de animais; ao contrário, eles não podem sequer suportar a visão dessas chacinas. É sempre recomendável que os matadouros sejam mantidos bem longe das cidades; os homens com freqüência, expedem rigorosos regulamentos proibindo o transporte de carnes descobertas. Pode-se então considerar a carne um alimento natural do homem, quando seus olhos e seu nariz positivamente a rejeitam, a menos que venha disfarçada com o sabor de temperos, sal e açúcar? Por outro lado, como achamos deliciosa a fragrância das frutas, cuja visão nos deixa muitas vezes com água na boca. Pode-se também notar que vários cereais e raízes tem odor e sabor gradáveis, embora fracos, mesmo quando não estão preparados. Portanto, mais uma vez, somos levados a deduzir por estas observações de que o homem tende à ser um animal frugívoro.</p>
<p>Observação da alimentação das crianças. Observando a alimentação das crianças, vemos que o leite é sem dúvida o alimento do recém-nascido. A mãe não terá leite o bastante se não comer frutas, cereais e vegetais como seu alimento natural. A Causa das doenças. Portanto, a única conclusão razoável à que se pode chegar a partir destas observações é a de que os vários cereais, frutas, raízes, e – como bebida – leite, e água pura exposta ao ar e ao sol, são de modo indiscutível o melhor alimento natural para o homem. Por serem adequados ao nosso sistema, quando ingeridos de acordo com a capacidade dos órgãos digestivos, estes alimentos bem mastigados e misturados com a saliva, serão facilmente assimilados. Outros alimentos não são naturais para o homem, e sendo incompatíveis com o sistema são necessariamente estranhos à ele; quando entram no estômago, não são adequadamente assimilados. Misturados com o sangue, acumulam-se nos órgãos excretórios e em órgãos não adaptados adequadamente à eles. Se não são eliminados, depositam-se nas fendas dos tecidos pela lei da gravidade; e, ao fermentarem, produzem doenças mentais e físicas, levando à uma morte prematura.</p>
<p>O desenvolvimento das crianças. A experiência também prova que a dieta natural, não irritante, do vegetarianismo é quase sem exceções admiravelmente apropriada para o desenvolvimento das crianças, tanto físico como mental. Suas principais faculdades, mentes, discernimentos, vontades, temperamentos e disposição geral serão também harmoniosamente desenvolvidos. A vida natural acalma as Paixões. Verificamos que quando se empregam meios incomuns, tais como jejum excessivo, flagelação ou clausura monástica, com a finalidade de suprimir as paixões sexuais, raras vezes consegue-se o efeito desejado. A experiência mostra entretanto, que o homem pode facilmente dominar estas paixões, o arqüiinimigo da moralidade, pela vida natural baseada numa dieta não irritante, acima referida; deste modo, os homens obtém a tranqüilidade da mente, que os psicólogos sabem ser extremamente favorável à atividade mental, à uma compreensão lúcida, bem como à uma judiciosa maneira de pensar.</p>
<p>Desejo sexual. Algo mais deve ser dito aqui sobre o instinto natural de procriação, que é depois do instinto de auto-conservação, o mais forte no corpo animal. O desejo sexual, como todos os outros desejos, tem um estado normal e outro anormal ou doentio, este último resultante unicamente da matéria estranha acumulada pela vida anti-natural, como já mencionamos. No desejo sexual, cada um tem um termômetro muito preciso para indicar a condição de sua saúde. Este desejo ultrapassa seu estado normal devido à irritação nervosa resultante da pressão da matéria estranha acumulada no sistema, pressão esta exercida sobre o aparelho sexual, manifestada primeiro por um exacerbado desejo sexual, depois por uma gradual redução da potência.</p>
<p>O desejo sexual em seu estado normal deixa o homem completamente livre de todas as perturbações lascivas, e só atua no organismo (despertando um desejo de saciedade) raramente. Aqui, outra vez, a experiência demonstra que este desejo, como todos os outros, é sempre normal em indivíduos que vivem uma vida natural, como já mencionamos. A raiz da árvore da vida. O órgão sexual – junção de importantes extremidades nervosas, particularmente dos nervos simpáticos e espinhais (nervos principais do abdômen), os quais através de sua conexão com o cérebro, são capazes de estimular todo o sistema – é, em certo sentido, a raiz da árvore da vida. O homem bem instruído no uso adequado do sexo pode manter seu corpo e sua mente saudáveis e viver uma vida inteiramente agradável.</p>
<p>Os princípios práticos da saúde sexual não são ensinados porque o povo considera o assunto impuro e obsceno. Assim, em sua cegueira, a humanidade tem a presunção de lançar um véu sobre a Natureza, porque ela lhe parece impura, esquecendo que ela é sempre imaculada e que tudo que existe de impuro e indecoroso está na mente do homem e não na natureza. Por conseguinte, é claro que o homem, ignorando a verdade sobre os perigos do abuso da força sexual, sendo compelido à práticas errôneas através da irritação nervosa resultante de uma vida anti-natural, sofrerá perturbadoras moléstias na vida, tornando-se uma vítima de morte prematura. A moradia do homem. Em segundo lugar, vem a casa onde moramos. Podemos facilmente compreender, quando nos sentimos mal ao entramos numa sala abarrotada depois de respirarmos o ar fresco do alto de uma montanha ou de um vasto campo ou jardim, que a atmosfera da cidade ou de qualquer aglomerado urbano é anti-natural para se morar. A atmosfera revigorante do alto de uma montanha, de um campo, jardim ou de um lugar seco e arborizado situado num espaçoso terreno, bem ventilado com ar fresco, é a moradia apropriada para o homem em harmonia com a natureza.</p>
<p>A companhia que devemos ter. Em terceiro lugar está a companhia que devemos ter. Aqui também, se ouvirmos os ditames de nossa consciência e consultarmos nossa inclinação natural, verificaremos que preferimos as pessoas cujo magnetismo nos afeta harmoniosamente, que acalmam nosso organismo, tonificam internamente nossa vitalidade, desenvolvem nosso amor natural, aliviando nossos sofrimentos, nos transmitindo paz. Isto quer dizer que devemos estar na companhia de Sat ou Salvador, e como já aludimos antes, devemos evitar a companhia de Asat. Na companhia de Sat temos a possibilidade de gozar uma saúde perfeita, física e mental, e nossa vida é prolongada. Se, por outro lado, não seguimos o conselho da Mãe Natureza, nem ouvimos os ditames de nossa consciência pura, mantendo a companhia de tudo que foi designado como A sat, produz-se um efeito oposto, prejudicando a saúde e encurtando a vida. Necessidade de Vida Natural e Pureza. Por conseguinte, a vida natural favorece a prática de Yama, as abstenções ascéticas. Sendo a pureza da mente e do corpo igualmente importante na prática de Niyama, as observâncias ascéticas, devem-se fazer todas as tentativas para atingir essa pureza.”</p>
<p>(Sri Yuktéswar – A Ciência Sagrada)</p>
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		<title>O ritual no Zen e o cérebro -Monje Densh? Quintero</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Sep 2011 12:51:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marilda Limberger</dc:creator>
				<category><![CDATA[meditação]]></category>
		<category><![CDATA[zen]]></category>

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		<description><![CDATA[Nos centros de meditação quando iniciantes leigos que nunca tiveram contacto com a prática, recebem a introdução, é frequente que alguns tenham reações de repulsa a certos detalhes da forma. Não faltam aqueles que chegam fugindo de protocolos religiosos da &#8230; <a href="http://psique.org/archives/812">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><p><a rel="attachment wp-att-813" href="http://psique.org/archives/812/dream_puja"><img class="alignleft size-medium wp-image-813" title="dream_puja" src="/wp-content/uploads/2011/09/dream_puja-300x198.jpg" alt="" width="300" height="198" /></a>Nos  centros de meditação quando iniciantes leigos que nunca tiveram  contacto com a prática, recebem a introdução, é frequente que alguns  tenham reações de repulsa a certos detalhes da forma. Não faltam aqueles  que chegam fugindo de protocolos religiosos da tradição da família, e  buscam  uma prática sem esse tipo de exigência, e se chocam com a etiqueta na sala de meditação.<span id="more-812"></span></p>
<p>Para muitas pessoas  a  palava “ritual” é associada a cerimônias arcaicas, fora do contexto de  uma realidade dominada pela razão. Porém, a idéia de que podemos ter  controle sobre a realidade ou de que podemos comprender tudo de maneira  racional é um erro que, com frequência, leva a desilusão e  consequentemente ao sofrimento. Devido ao carater impermanente da  realidade, a vida é muito mais surpreendente do que desejamos, e se nos  fixarmos a uma única forma de ver, esperaremos que nossas expectativas  se cumpram com fidelidade e perdemos a experiência total da vida. Por  isso se faz necessário realizar certas práticas que possam desbloquear  nossa mente da rigidez de uma experiência filtrada por conceitos.</p>
<p>Se pensarmos quantas atividades de nossa vida são  ritualizadas,  começaríamos a enxergar numa perspectiva mais ampla: É uma pessoa que  não pode sair de casa pela manhã sem tomar o café; ou não pode ir ao  vaso sanitário sem uma leitura. E isto sem contar com inúmeros rituais  sociais como uma celebração de aniversário ou qualquer outro tipo de  festejo em família. Em nosso cotidiano seguimos parametros repetitivos  de conduta com os quais nos familiarizamos e não os percebemos como  rituais.</p>
<p>Nos templos Zen, a cada dia, desde o soar do sino do alvorada, todas a atividades estão delineadas por um processo  ritual.  Ao escutar o sino, cada monje se senta sobre seu zabuton, recita a  estrofe de levantar-se, guarda seus pertences, veste seu hábito, se  dirige ao banheiro e, seguindo as instruções, lava seus dentes, rosto,  pescoço e ouvidos, sem desperdício de água. Este procedimento não deve durar mais de 15minutos, que é o tempo entre levantar-se e iniciar a meditação matutina.</p>
<p>Alem  do ritual da alvorada, nas regras estão especificadas a maneira de  entrar no sodô(sala de meditação), de caminhar, de inclinar-se, de  reverenciar, de subir e descer do Tan (plataforma de meditação) onde  também comem e dormem, uso dos sanitários e banheiros; rituais da  refeição e o deitar-se para dormir, etc. Isto é, todas as atividades de um monje Zen em treinamento estão perfeitamente descritas  e além disso, cada uma é precedida por uma breve estrofe de oferecimento para o benefício de todos os seres. Em  cada atividade, se dá ênfase a importância de praticar sem buscar  proveito pessoal algum. Com isto, a atividade repetida de maneira exata  permite ver o fato de que todos os seres estão interconectados e somos  interdependentes. O ritual, então, ajuda a despertar para a mesma  realidade que Buddha despertou.</p>
<p>Outro  aspecto importante é a realização de cerimônias: Há uma repulsa  generalizada a esta forma por se desconhecer sua importância no processo  de transformação, apesar de que através da história se há demostrado  sua importância na evolução do ser humano, como é sinalizado em alguns  dos trabalhos de Mircea Eliade<a href="http://www.daissen.org.br/cms/index.php?s=cms_textos_incluir#_ftn1"><strong><em><strong>[1]</strong></em></strong></a>, Joseph Campbell<a href="http://www.daissen.org.br/cms/index.php?s=cms_textos_incluir#_ftn2"><strong></strong><strong>[2]</strong></a> y Carl G. Jung<a href="http://www.daissen.org.br/cms/index.php?s=cms_textos_incluir#_ftn3"><strong></strong><strong>[3]</strong></a> entre  outros. Temos por um lado o desenvolvimento de um espírito comunitário  que se cultiva a medida que se vai repetindo o ritual; O grupo se  harmoniza e unifica seus movimentos; O comportamento ordinário, a forma  de estar de pé, de caminhar ou sentar-se, são transformados em ações de  buddhas. Por outro lado, os cantos se recitam de maneira específica,  facilitando uma respiração mais ampla com a qual se produz um bem estar,  graças a boa oxigenação e a consequente liberação das tensões  psicofísicas.</p>
<p>Individualmente, o ritual permite retornar à experiência de vida como evento sagrado,  conecta com processos míticos enraizados em estruturas neurológicas que hajam sido reprimidas conscientemente e que são  importantes  na saúde psicológica e na evolução do ser humano. Conforme sinalizam  D’Aquili e Newberg, o mito reconcilia e harmoniza os opostos bem-e-mal,  vida-e-morte, proporcionando alívio às preocupações existenciais<a href="http://www.daissen.org.br/cms/index.php?s=cms_textos_incluir#_ftn4">[4]</a>.</p>
<p>Porém, o ritual mais importante e melhor delineado nos templos Zen é o zazen, a prática da meditação. Todos  os dias, no mínimo duas vezes ele é praticado. Existem manuais que  descrevem com exatidão essa prática, desde a forma de sentar-se,  respirar e a atitude mental. Mestre  D?gen, depois de seu regresso da China em 1227, escreveu o primeiro  texto referente, Fukanzazengi: “Recomendações Universais para a Prática  de Zazen”. É  um breve manual que explica em detalhe a forma correta. Neste texto  D?gen disse que zazen: “é a porta da paz e felicidade, a  prática-realização de um despertar perfeito”</p>
<p>D?gen continua: “Zazen é a manifestção da realidade última. As armadilhas  das redes do intelecto não podem atrapalhar”. Conforme diz Paula Arai em seu ensaio sobre os rituais das monjas SotoZen<a href="http://www.daissen.org.br/cms/index.php?s=cms_textos_incluir#_ftn5">[5]</a>,  “A mente racional pode entender a inter-dependência, porém só este  conhecimento é insuficiente para produzir a sensação&#8230;. a compreensão  intelectual tem demonstrado ser impotente para prover mudança  emocional”, Este é o motivo pelo qual, mesmo que creiamos ter  comprendido,  nosso comportamento não se transforma. Apesar de estarmos concientes,  de que se mudamos nossa resposta impulsiva como ciume ou ira, poderiamos  levar uma vida mais harmônica, não é nada fácil mudar tal resposta.  Para que se possa dar uma verdadeira mudança é necessário atravessar  processos físicos nos quais passemos primeiro por uma experiência e em  seguida a compreensão seja obtida como pensamento racional ao invés do  contrário.</p>
<p>Por este motivo, nos processos de transformação profunda o importante é a repetição. Por  meio dela podemos transformar aquilo que é endossado pela repetição  inconsciente. A diferença é que nos processos rituais, o indivíduo se  submete ao consciente liberando-se da necessidade compulsiva de  recompensa. Com base em estudos realizados em praticantes de meditação  ou de oração profunda, a neurologia tem demonstrado que quando um  indivíduo repete uma atividade de forma contínua, o sistema-límbico(uma  de suas funções principais é integrar o meio interno com o externo antes  de realizar uma conducta) se sobrecarrega e usa mecanismos de outras  estruturas cerebrais para funcionar adequadamente.</p>
<p>Os doutores Newberg y D’Aquili explicam que: <em>“Quando  o sistema nervoso simpático, encarregado de preparar o indivíduo para  uma ação, recebe demasiada informação, o incremento desta excessiva  actividade neural no cérebro põe em alerta o hipocampo, que é  responsável por manter o sentido de equilíbrio no cérebro. </em><em>Para manter o equilíbrio, esta parte do cérebro atua regulando o fluxo de informação entre várias regiões do cérebro. </em><em>Esta  regulação modera o nível de atividade neural, e mantem o cérebro num  estado de equilíbrio relativo. Por exemplo, quando o hipocampo sente que  a atividade no cérebro alcança níveis excessivamente altos(como no caso  da repetição), exerce um efeito inibidor do fluxo neural, de fato,  freia a atividade cerebral até que se estabilize</em><em>. </em><em>Como  resultado, certas estruturas cerebrais são privadas do abastecimento  normal de informação sensorial para realizar seu trabalho adequadamente.  Quando o fluxo é interrompido, volta a trabalhar com a pouca informação  que esteja disponível.”<a href="http://www.daissen.org.br/cms/index.php?s=cms_textos_incluir#_ftn6"><strong>[6]</strong></a></em></p>
<p><em> </em></p>
<p>A  área de orientação associativa está encarregada das funções espaciais,  da diferenciação do indivíduo como elemento separado do entorno. Isto  permite gerenciar o espaço, deslocar-se, alcançar objetos, etc., e esta  informação está mudando permanentemente à medida que  se  vai recebendo mais informação sensorial da mudança do entorno. Por este  motivo, nao reagir aos estímulos sensoriais durante a meditação é tão  importante. Conforme Dr. James Austin<a href="http://www.daissen.org.br/cms/index.php?s=cms_textos_incluir#_ftn7">[7]</a>,  nos processos de meditação profunda, os circuitos frontais e temporais e  outras estruturas do sistema límbico, que marcam o tempo linear,  bloqueiam a auto-consciência.</p>
<p>Quando  estas zonas do cérebro são silenciadas o indivíduo passa da noção de  separação e existência espaço-temporal para uma consciência de  inter-conectividade com o todo. Esta é uma das causas principais pelas  quais no Zen toda atividade deve ser ausente de espírito de proveito  pessoal. Enquanto sigamos buscando benefício próprio durante a  meditação, continuaremos separando-nos do entorno, pois não permitimos  que nossa zona de orientação  associativa se  desconecte já que seguimos mandando informação, ao sistema límbico, de  que estamos realizando um processo de aprendizagem e este envia a  informação ao neo-cortex(a capa mais externa do cérebro) para  racionalizar a experiência e  em seguida armazena-la na memória.</p>
<p>Com  base no estudo neuro-fisiológico sobre a meditação, podemos compreender  melhor as palavras de Mestre D?gen quando diz que a prática e o  despertar não são separados. Não se trata de alguém praticando zazen mas  sim que o zazen, buddha, todas as existências e praticantes são a  manifestação presente, que torna reais: a consciência universal, a rede  de Brahma, o Sunyata, a Mente Buddha, o Universo, ou qualquer nome, que  através da história, tenha sido dado a Realidade Única isenta das  armadilhas dos preconceitos do racional.</p>
<p>O  mais importante, na perspectiva da prática conforme Chi-fo(citado por  Rede Pine em seus comentários sobre o Sutra do Diamante): <em>“Nas ações cotidianas  como  vestir, comer, lavar-se e sentar-se, Buddha nunca deixava de manifestar  a maravilhosa ação da mente verdadeira e neste exemplo estava contida a  essência da perfeita-sabedoria(prajna).</em><a href="http://www.daissen.org.br/cms/index.php?s=cms_textos_incluir#_ftn8"><em><strong>[8]</strong></em></a><em>” </em>Ao atuar como buddhas em cada ação cotidiana, somos buddha.</p>
<p>(Traduzido por Rafael Yôkô)</p>
<hr size="1" /><a href="http://www.daissen.org.br/cms/index.php?s=cms_textos_incluir#_ftnref1">[1]</a> Eliade, Mircea. Nacimiento y Renacimiento, El significado de la  iniciación en la cultura humana. Editorial Kairos. Barcelona, 2001.  Trad. Miguel Portillo Díez</p>
<p><a href="http://www.daissen.org.br/cms/index.php?s=cms_textos_incluir#_ftnref2">[2]</a> Campbell, Joseph. El Héroe de la mil Caras. Fondo de Cultura Económica. México, 1992</p>
<p><a href="http://www.daissen.org.br/cms/index.php?s=cms_textos_incluir#_ftnref3">[3]</a> Jung, C.G. “Arquetipos e Inconsciente Colectivo”. Ed. Paidós, SAICF; Ed. Paidós Ibérica, S.A. Barcelona. 1991</p>
<p><a href="http://www.daissen.org.br/cms/index.php?s=cms_textos_incluir#_ftnref4">[4]</a> Newberg, Andrew MD Eugene D’aquili MD, P<sub>H</sub>.D. Whya God Won’t Go Away. Brain Science &amp; the Biology of belief. Ballantine Books. New York, 2001. p. 62</p>
<p><a href="http://www.daissen.org.br/cms/index.php?s=cms_textos_incluir#_ftnref5">[5]</a> Arai, Paula K.R. <em>Women and D?gen: Rituals Actualizing Empowerment and healing</em>. Zen Ritual, Studies of Zen Buddhist theory in practice. Edited by Steven Heine and Dale S. Wright. Oxford University Press. New York, 2008.</p>
<p><a href="http://www.daissen.org.br/cms/index.php?s=cms_textos_incluir#_ftnref6">[6]</a> Newberg &amp; D’Aquili. Op. Cit. P.87</p>
<p><a href="http://www.daissen.org.br/cms/index.php?s=cms_textos_incluir#_ftnref7">[7]</a> Austin, James H., MD. Zen and the Brain, toward an understanding of meditation and consciousness. The MIT Press. Cambvridge, 1998. P. 566</p>
<p><a href="http://www.daissen.org.br/cms/index.php?s=cms_textos_incluir#_ftnref8">[8]</a> The Diamond Sutra. Text and Commentaries By Red Pine. Counterpoint. Berkeley2001.</p>
<div class="shr-publisher-812"></div><!-- Start Shareaholic LikeButtonSetBottom Automatic --><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><div class='shareaholic-like-buttonset' style='float:none;height:30px;'><a class='shareaholic-fblike' data-shr_layout='button_count' data-shr_showfaces='false' data-shr_href='http%3A%2F%2Fpsique.org%2Farchives%2F812' data-shr_title='O+ritual+no+Zen+e+o+c%C3%A9rebro+-Monje+Densh%3F+Quintero'></a><a class='shareaholic-fbsend' data-shr_href='http%3A%2F%2Fpsique.org%2Farchives%2F812'></a><a class='shareaholic-googleplusone' data-shr_size='medium' data-shr_count='true' data-shr_href='http%3A%2F%2Fpsique.org%2Farchives%2F812' data-shr_title='O+ritual+no+Zen+e+o+c%C3%A9rebro+-Monje+Densh%3F+Quintero'></a></div><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><!-- End Shareaholic LikeButtonSetBottom Automatic -->]]></content:encoded>
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		<title>Verdadeira grandeza de quem somos</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Apr 2011 18:53:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marilda Limberger</dc:creator>
				<category><![CDATA[meditação]]></category>
		<category><![CDATA[Budismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma vez que você se comprometa a desenvolver consciência da sua natureza Buda, inevitavelmente vai começar a ver diferenças na experiência do dia-a-dia. Coisas que geralmente te causam problemas aos poucos perdem o poder de te perturbar. Você se tornará &#8230; <a href="http://psique.org/archives/722">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><blockquote><p><a rel="attachment wp-att-723" href="http://psique.org/archives/722/flower"><img class="alignleft size-full wp-image-723" title="flower" src="/wp-content/uploads/2011/04/flower.jpg" alt="" width="230" height="221" /></a>Uma vez que você se comprometa a desenvolver consciência  da sua natureza Buda, inevitavelmente vai começar a ver diferenças na  experiência do dia-a-dia. Coisas que geralmente te causam problemas aos  poucos perdem o poder de te perturbar. Você se tornará intuitivamente  mais sábio, mais tranquilo e com o coração mais aberto.<span id="more-722"></span></p>
<p>Você começará a reconhecer obstáculos como oportunidades para mais  crescimento. E assim que sua ideia iludida de possuir limitações e  vulnerabilidades gradualmente for se apagando, descobrirá nas  profundezas de si a verdadeira grandeza de quem e o que você é.</p>
<p>O melhor de tudo é que, assim que você começa a ver seu próprio  potencial, você também começará a reconhecê-lo em todos a sua volta.  Natureza Buda não é uma qualidade especial disponível para uns poucos  privilegiados. O verdadeiro marco de reconhecer sua natureza Buda é  compreender quão comum ela na verdade é — a habilidade de ver que toda  criatura viva compartilha isso, embora nem todos reconheçam-na em si.</p>
<p>Então, ao invés de fechar seu coração às pessoas que gritam com você  ou agem de alguma outra maneira prejudicial, você percebe que está se  tornando mais aberto. Você reconhece que eles não são imbecis, mas  pessoas que, como você, querem ser felizes e ter paz. Estão apenas  agindo como imbecis porque não reconheceram sua verdadeira natureza e  estão dominados por sentimentos de vulnerabilidade e medo.   <a rel="attachment wp-att-724" href="http://psique.org/archives/722/mingyurwithflower"><img class="alignleft size-medium wp-image-724" title="mingyurwithflower" src="/wp-content/uploads/2011/04/mingyurwithflower-300x238.jpg" alt="" width="300" height="238" /></a> Yongey  Mingyur Rinpoche(Nepal, 1975~)</p></blockquote>
<p><a href="http://yongeybr.tripod.com/id2.html"><br />
</a></p>
<div class="shr-publisher-722"></div><!-- Start Shareaholic LikeButtonSetBottom Automatic --><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><div class='shareaholic-like-buttonset' style='float:none;height:30px;'><a class='shareaholic-fblike' data-shr_layout='button_count' data-shr_showfaces='false' data-shr_href='http%3A%2F%2Fpsique.org%2Farchives%2F722' data-shr_title='Verdadeira+grandeza+de+quem+somos'></a><a class='shareaholic-fbsend' data-shr_href='http%3A%2F%2Fpsique.org%2Farchives%2F722'></a><a class='shareaholic-googleplusone' data-shr_size='medium' data-shr_count='true' data-shr_href='http%3A%2F%2Fpsique.org%2Farchives%2F722' data-shr_title='Verdadeira+grandeza+de+quem+somos'></a></div><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><!-- End Shareaholic LikeButtonSetBottom Automatic -->]]></content:encoded>
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		<title>Ensinamentos: Sua Santidade Dalai Lama Bondade e Compaixão</title>
		<link>http://psique.org/archives/703</link>
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		<pubDate>Tue, 15 Mar 2011 22:30:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marilda Limberger</dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[meditação]]></category>

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		<description><![CDATA[Esta noite, gostaria de falar a vocês sobre a importância da bondade e da compaixão. Ao discutir esses temas, não me vejo como budista, Dalai Lama ou tibetano, mas sim como um ser humano e espero que vocês, no auditório, &#8230; <a href="http://psique.org/archives/703">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><p><a rel="attachment wp-att-704" href="http://psique.org/archives/703/dalai-lama"><img class="alignleft size-full wp-image-704" title="dalai lama" src="/wp-content/uploads/2011/03/dalai-lama.jpg" alt="" width="300" height="300" /></a>Esta noite, gostaria de falar a vocês sobre a  importância da bondade e da compaixão. Ao discutir esses temas, não me  vejo como budista, Dalai Lama ou tibetano, mas sim como um ser humano e  espero que vocês, no auditório, pensem em si mesmos dessa maneira. Não  como americanos, ocidentais ou membros de um determinado grupo, pois  essas condições são secundárias. Se interagirmos como seres humanos,  podemos chegar a esse nível. Caso eu diga &#8220;sou monge&#8221; ou &#8220;sou budista&#8221;,  as afirmações serão, em comparação com a minha natureza de ser humano,  temporárias. Ser humano é básico. Uma vez nascido assim, não se poderá  mudar até a morte. Outras condições, ser ou não instruído, rico ou  pobre, são secundárias.<span id="more-703"></span></p>
<p>Hoje, enfrentamos muitos problemas. Alguns são  criados essencialmente por nós mesmos, com base em diferenças de  ideologia, religião, raça, situação econômica ou outros fatores. Chegou,  portanto, o momento de pensarmos em níveis mais profundos. Em nível  humano, condição essa que deveremos apreciar e respeitar em todos os que  nos cercam. Devemos construir relacionamentos baseados na confiança  mútua, na compreensão, no respeito e na solidariedade, independentemente  de diferenças culturais, filosóficas ou religiosas.</p>
<p>Todos os seres humanos são iguais. Feitos de carne,  ossos e sangue. Todos queremos a felicidade e evitar o sofrimento e  temos direito a isso. Em outras palavras, é importante compreender a  nossa igualdade. Pertencemos todos a uma família humana. O fato de  brigarmos uns com os outros deve-se a razões secundárias, e todas essas  discussões são inúteis. Infelizmente, durante muitos séculos, os seres  humanos usaram todos os métodos para ferir uns aos outros. Muitas coisas  terríveis aconteceram, resultando em mais problemas, mais sofrimento e  desconfiança. E, consequentemente, em mais divisões.</p>
<p>O mundo hoje está cada vez menor em vários  aspectos, particularmente o econômico. Os países estão mais próximos e  interdependentes e, nesse quadro, torna-se necessário, pensar mais em  nível humano do que em termos do que nos divide. Assim, falo a vocês  apenas como um ser humano e espero, sinceramente, que vocês estejam  escutando com o pensamento: &#8220;Sou um ser humano e estou ouvindo outro ser  humano falar&#8221;.</p>
<p>Todos queremos a felicidade; nas cidades, no campo,  mesmo em lugares remotos, as pessoas trabalham com o objetivo de  alcançá-la, entretanto, devemos ter em mente que viver a vida  superficialmente não solucionará os problemas maiores.</p>
<p>Há muitas crises e medos à nossa volta. Por meio do  grande desenvolvimento da ciência e da tecnologia, atingimos um estado  avançado de progresso material, que é necessário. Não podemos, no  entanto, comparar o progresso externo com nosso progresso interior. As  pessoas queixam-se do declínio da moralidade e do aumento da  criminalidade, mas esses problemas não serão resolvidos, se não  procurarmos desenvolver nosso interior.</p>
<p>No passado remoto, se houvesse uma guerra, os  efeitos seriam geograficamente limitados, porém hoje, em função do  progresso, o potencial de destruição ultrapassou o concebível. No ano  passado estive em Hiroshima, no Japão. Mesmo tendo informações a  respeito da explosão nuclear lá ocorrida, era muito diferente estar no  local, ver com meus próprios olhos e encontrar pessoas que realmente  sofreram com aqueles acontecimentos. Fiquei profundamente emocionado.  Uma arma terrível tinha sido usada. Embora possamos considerar alguém  como inimigo, temos de levar em conta que essa pessoa é um ser humano e  que tem direito a ser feliz. Olhando para Hiroshima e refletindo a  respeito, fiquei ainda mais convencido de que a raiva e o ódio não são  meios para solucionar problemas.</p>
<p>A raiva não pode ser superada pela raiva. Quando  uma pessoa tiver um comportamento agressivo com você e a sua reação for  semelhante, o resultado será desastroso. Ao contrário, se você puder se  controlar e tomar atitudes opostas &#8220;compaixão, tolerância e paciência&#8221;,  não só se manterá em paz, como a raiva do outro diminuirá  gradativamente. Do mesmo modo, problemas mundiais não podem ser  solucionados pela raiva ou pelo ódio. Sentimentos como esses devem ser  enfrentados com amor, compaixão e pura bondade.</p>
<p>Pensem em todas as terríveis armas que existem, mas  que, por si mesmas, não podem iniciar uma guerra. Por trás do gatilho  há um dedo, movido pelo pensamento, não por sua própria força. A  responsabilidade permanece em nossa mente, de onde se comandam as ações.  Portanto, controlar em primeiro lugar a mente é muito importante. Não  estou falando de meditação profunda, mas apenas de cultivar menos raiva e  mais respeito aos direitos do outro. Ter uma compreensão mais clara da  nossa igualdade como seres humanos.</p>
<p>Ninguém quer a raiva, ninguém quer a  intranqüilidade, mas por causa da ignorância somos acometidos por  sentimentos como esses. A raiva nos faz perder uma das melhores  qualidades humanas, o poder de discernimento. Temos um cérebro bem  desenvolvido, coisa que outros mamíferos não têm. Esse órgão nos permite  julgar o que é certo e o que é errado. Não apenas em termos atuais, mas  em projeções para daqui dez, vinte ou mesmo cem anos. Sem nenhum tipo  de pré-cognição, podemos utilizar nosso bom senso para determinar o  certo e o errado. Imaginar as causas e seus possíveis efeitos. Contudo,  se nossa mente estiver ocupada pela raiva, perderemos o poder de  discernimento e nos tornaremos mentalmente incompletos. Devemos  salvaguardar essa capacidade e, para tanto, temos de criar uma companhia  de seguros interna: autodisciplina, autoconsciência e uma clara  compreensão das desvantagens da raiva e dos efeitos positivos da  bondade. Se refletirmos a respeito dessas questões com freqüência,  podemos incorporar a idéia e, então, controlar a mente.</p>
<p>Por exemplo: pode ser que você seja uma pessoa que  se irrita facilmente com pequenas coisas. Com desenvolvida compreensão e  conscientização, isso pode ser controlado. Se você fica geralmente  zangado por dez minutos, tente reduzi-los para oito. Na semana seguinte,  reduza para cinco e, no próximo mês, para dois. Depois, passe para  zero. É assim que desenvolvemos e treinamos nossa mente. É o que penso e  também o que pratico.</p>
<p>É perfeitamente claro que todos necessitam de paz  interior, que só pode ser alcançada por meio da bondade, do amor e da  compaixão. O resultado é uma família em paz, felicidade entre pais e  filhos, menos brigas entre casais. Em uma nação, essa atitude pode criar  unidade, harmonia e cooperação com saudável motivação. Em nível  internacional, precisamos de confiança e respeito mútuos, discussões  francas e amistosas, com motivações sinceras e um esforço conjunto no  sentido de resolver problemas. Tudo isso é possível.</p>
<p>Precisamos, porém, mudar interiormente. Nossos  líderes têm feito o melhor que podem para resolver nossos problemas,  mas, quando um é resolvido, surge outro. Tenta-se solucionar este, surge  mais um em outro lugar. Chegou o momento então de tentar uma abordagem  diferente.</p>
<p>É certamente difícil realizar um movimento mundial  pela paz de espírito, mas é a única alternativa. Caso houvesse outro  método mais fácil e prático, seria melhor, porém não há. Se com armas  pudéssemos chegar à paz duradoura, muito bem. Transformaríamos todas as  fábricas em produtoras de armamentos. Gastaríamos todos os dólares  necessários, se conseguíssemos a definitiva paz, mas tal é impossível.</p>
<p>As armas não permanecem empilhadas. Uma vez  desenvolvidas, alguém irá usá-las. O resultado é a morte de criaturas  inocentes. Portanto, a única maneira de atingirmos uma paz mundial  duradoura é por meio da transformação interior. E, mesmo que essa  transformação não ocorra durante esta vida, a tentativa terá sido  válida. Outros seres humanos virão; a próxima geração e as seguintes. E o  progresso pode continuar. Sinto que, apesar das dificuldades práticas,  e, mesmo correndo o risco de que tal visão seja considerada pouco  realista, vale a pena o esforço. Assim, aonde quer que eu vá, expresso  essas idéias e sinto-me muito motivado porque mais pessoas têm sido  receptivas a elas.</p>
<p>Cada um de nós é responsável por toda a humanidade.  Chegou a hora de pensarmos nas outras pessoas como verdadeiros irmãos e  irmãs e nos preocuparmos com seu bem-estar. Mesmo que você não possa se  sacrificar inteiramente, não deverá esquecer-se das dificuldades dos  outros. Temos de pensar mais sobre o futuro em benefício de toda a  humanidade. Se você tentar dominar seus sentimentos egoístas e  desenvolver mais bondade e compaixão, em última análise, você é quem irá  sair beneficiado. É o que chamo de egoísmo sábio. Pessoas egoístas  tolas só pensam em si mesmas, e o resultado é negativo. Egoístas sábios  pensam nos outros, ajudam da melhor forma e também colhem os benefícios.  Essa é minha simples religião. Não há necessidade de templos ou de  filosofias complicadas. Nosso próprio cérebro, nosso coração são nossos  templos. A filosofia é a bondade.</p>
<p><em>(Texto extraído da obra </em>A Policy of Kindness<em>, Snow Lion Publications, 1990.)</em></p>
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		<title>Meditação Vipassana &#8211;  Puhuwelle Vipassi</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Mar 2011 22:21:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marilda Limberger</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[meditação]]></category>

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		<description><![CDATA[O desenvolvimento da concentração e de vários graus de introspecção é o objetivo básico da meditação budista. Antes de abordar a técnica, devemos refletir à respeito da prática da meditação: Como começar? Como funciona? Por que é necessária a sua &#8230; <a href="http://psique.org/archives/696">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><p><span style="font-family: tahoma,verdana,arial;"><a rel="attachment wp-att-697" href="http://psique.org/archives/696/buddha-statue2"><img class="alignleft size-medium wp-image-697" title="buddha-statue2" src="/wp-content/uploads/2011/03/buddha-statue2-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a>O desenvolvimento da concentração e de vários graus de introspecção é o objetivo básico da meditação budista. Antes de abordar a técnica, devemos refletir à respeito da prática da meditação: Como começar? Como funciona? Por que é necessária a sua prática?</span></p>
<p><span style="font-family: tahoma,verdana,arial;">Com o propósito de  conscientizar a importância da meditação, o iniciante deve freqüentar um  curso intensivo, com aproveitamento satisfatório, a fim de ganhar  suficiente experiência e conhecimento através da prática da introspecção.<span id="more-696"></span></span></p>
<p><span style="font-family: tahoma,verdana,arial;">O iniciante passará  por vários estágios de introspecção, de acordo com os exercícios que vão  ser praticados juntamente com a meditação Vipassana, em sua exposição tradicional.<br />
Vazada em termos práticos, a meditação Vipassana explica como a  experiência é obtida e como o autoconhecimento pode ser alcançado  durante o curso, no qual é usada uma linguagem simples, para facilitar a  compreensão daqueles que possuem pouco ou nenhum conhecimento à  respeito.</span></p>
<p><span style="font-family: tahoma,verdana,arial;">No estágio preparatório, aquele que pretende desenvolver a meditação e atingir o autoconhecimento (<em>Vipassana ñanna</em>) na presente vida deverá, em primeiro lugar,  renunciar a pensamentos e ações mundanas , durante o tempo que durar o  treinamento.</span></p>
<p><span style="font-family: tahoma,verdana,arial;">Deverão ser observadas rigorosamente as regras disciplinares (<em>Sila</em>), prescritas para discípulos, leigos ou monges. Esse  comportamento com relação à purificação do caráter, é um passo  preliminar essencial para o desenvolvimento da meditação, e ocupa um  lugar de destaque entre as medidas que visam a atingir o  autoconhecimento.</span></p>
<p><span style="font-family: tahoma,verdana,arial;">O praticante, em  troca, sentirá plena confiança de que o esforço em conservar-se puro, em  conduta e pensamento, o conduzirá ao seu objetivo principal. Nos  comentários, durante um curso, é enfatizada a necessidade do praticante  entregar-se a Buddha, com plena confiança, a fim de que não se sinta  alarmado ou amedrontado, com alguma visão durante a contemplação. É  também importante que o praticante se coloque à disposição de seu  instrutor de meditação, esforçando-se em cumprir as instruções que  receber da melhor maneira possível.</span></p>
<p><span style="font-family: tahoma,verdana,arial;"><em>Nibbana</em> é a  Bem-aventurança, e o Caminho a ser trilhado para alcançá-lo é bom e  meritório. Este curso intensivo de treinamento em contemplação  conduzirá, certamente, os seguidores ao autoconhecimento na Senda e ao  Nibbana. Os praticantes devem, conseqüentemente, manter a mente voltada para este objetivo, confiando  ardentemente em que seu treinamento será bem sucedido.</span></p>
<p><span style="font-family: tahoma,verdana,arial;">O mesmo método de  treinamento intensivo em concentração tem sido praticado, ao longo dos  tempos, por sucessivos Buddhas e Seres Nobres que atingiram o Nibbana.  Os participantes devem, portanto, sentir-se venturosos por esta  oportunidade de trilhar a mesma senda que aqueles que se iluminaram, e  realizar a prática por eles desenvolvida.</span></p>
<p><span style="font-family: tahoma,verdana,arial;">Com esses  pensamentos encorajadores, o praticante deve começar o treinamento  devotando-se, em primeiro lugar, ao Buddha, apreciando ardorosamente as  Suas nove principais qualidades: &#8220;Verdadeiramente o Buddha é Santo,  Perfeitamente Iluminado, Perfeito em Conhecimento e Conduta, Sublime,  Conhecedor de Mundos, Incomparável Instrutor de homens a serem  dirigidos, Mestre de homens e deuses , o Iluminado e o Abençoado&#8221;.<br />
A prática do Amor Universal, a ser desenvolvida no curso, deve  estender-se a todos os seres, refletindo sobre a natureza do corpo e a  condição de estarmos sempre sujeitos à insatisfatoriedade.</span></p>
<p><span style="font-family: tahoma,verdana,arial;">Para começar os  exercícios de treinamento, a melhor postura é a sentada, com as pernas  cruzadas. O praticante sentir-se-á mais confortável se permanecer assim,  por um longo tempo, sem pressionar muito uma pema contra a outra. O  lótus completo ou o meio-lótus são as posturas mais recomendadas para  aqueles capazes de fazê-las. Por sua própria natureza, o corpo é  desconfortável em qualquer posição, e essas posturas são boas quando a  elas se acostuma.</span></p>
<p><span style="font-family: tahoma,verdana,arial;">Por isto, o  iniciante deve treinar o domínio de uma determinada postura, de modo a  manter a coluna vertebral na posição vertical, sem esforço. Algumas  pessoas, entretanto, não estão acostumadas a sentar no chão,  constituindo essas posturas de lótus um estorvo para a concentração.  Nesse caso, podem sentar-se da maneira usual, lembrando que o importante  é manter a coluna ereta, sem tensão. Estabelecido em posição  confortável, o praticante pode então prosseguir com os exercícios, em  concentração, conforme resumo a seguir:<br />
A atenção deve ser dirigida para o abdômen, para se conscientizar dos  movimentos &#8220;acima&#8221; e &#8220;abaixo&#8221; provocados pela respiração. Se esses  movimentos não estiverem claros, uma ou ambas as mãos devem ser  colocadas sobre o abdômen. Após algum tempo, o movimento &#8220;para cima&#8221; e  &#8220;para baixo&#8221;, devido à inspiração e expiração se tomarão claros. Deve-se  então emitir um &#8220;rótulo&#8221; mental &#8211; &#8220;acima&#8221; ou &#8220;abaixo&#8221; para os  correspondentes movimentos abdominais, no momento exato que ocorrem.  Todo esforço deve ser feito para se conscientizar claramente cada  movimento e de como ele ocorre.</span></p>
<p><span style="font-family: tahoma,verdana,arial;">Talvez o iniciante  possa pensar que esse tipo de prática conduza simplesmente à atenção  sobre os movimentos abdominais. Não se deve dar guarida a tais  pensamentos, e prosseguir com a prática, pois a respiração serve como  nosso ponto de referência sempre que nos perdemos nos pensamentos, pois  ela está sempre lá, trazendo-nos para o momento do aqui e agora. A  habilidade de conhecer a ocorrência dos fenômenos psicofísicos  (nama-rupa) em cada um dos seis órgãos dos sentidos, só será adquirida  quando a concentração estiver plenamente desenvolvida. Naqueles em que a  atenção e concentração ainda estão fracas , dificilmente se conseguirá  manter a mente em cada ocorrência, à medida que acontecem.<br />
Para o iniciante, porém, este é o único método fácil de desenvolver as faculdades de Plena Atenção (<em>Samadhi</em>) e Introspecção (<em>Ñapa</em>) na contemplação.</span></p>
<p><span style="font-family: tahoma,verdana,arial;">A técnica fundamental para a introspecção é ver, com clareza, a consciência do corpo (<em>rupa</em>), desenvolver o estado de alerta, atento às respostas, interpretações e atos mentais (intenções).<br />
A Concentração Correta é necessária para compreender as distrações e  divagações da mente. A compreensão dessa verdade leva à cessação de todo  o sofrimento.</span></p>
<blockquote><p><em><span style="font-family: tahoma,verdana,arial;">Ninguém medita sem sabedoria<br />
Ninguém é sábio sem meditação</span> </em></p></blockquote>
<p><span style="font-family: tahoma,verdana,arial; font-size: x-small;"><em>(Originalmente publicado pela <a href="http://www.geocities.com/Tokyo/Gulf/5515/vipassi8.htm" target="_blank">Sociedade Budista do Brasil</a>)</em></span></p>
<div class="shr-publisher-696"></div><!-- Start Shareaholic LikeButtonSetBottom Automatic --><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><div class='shareaholic-like-buttonset' style='float:none;height:30px;'><a class='shareaholic-fblike' data-shr_layout='button_count' data-shr_showfaces='false' data-shr_href='http%3A%2F%2Fpsique.org%2Farchives%2F696' data-shr_title='Medita%C3%A7%C3%A3o+Vipassana+-++Puhuwelle+Vipassi'></a><a class='shareaholic-fbsend' data-shr_href='http%3A%2F%2Fpsique.org%2Farchives%2F696'></a><a class='shareaholic-googleplusone' data-shr_size='medium' data-shr_count='true' data-shr_href='http%3A%2F%2Fpsique.org%2Farchives%2F696' data-shr_title='Medita%C3%A7%C3%A3o+Vipassana+-++Puhuwelle+Vipassi'></a></div><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><!-- End Shareaholic LikeButtonSetBottom Automatic -->]]></content:encoded>
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		<title>Canção do Swami Ram Tirtha (santo indiano do século XIX)</title>
		<link>http://psique.org/archives/645</link>
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		<pubDate>Fri, 10 Dec 2010 18:56:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marilda Limberger</dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
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		<category><![CDATA[meditação]]></category>

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		<description><![CDATA[Ninguém pode me abater, quem vai me ferir? O mundo se afasta para dar lugar a mim Cheguei, luz fulgurante, as sombras vão fugir Ó oceano, divida-se agora Ou seque, queime, evapore e vá embora Ninguém pode ma abater, quem &#8230; <a href="http://psique.org/archives/645">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><p><a rel="attachment wp-att-646" href="http://psique.org/archives/645/rama"><img class="alignleft size-medium wp-image-646" title="rama" src="/wp-content/uploads/2010/12/rama-261x300.jpg" alt="" width="261" height="300" /></a>Ninguém pode me abater, quem vai me ferir?<br />
O mundo se afasta para dar lugar a mim<br />
Cheguei, luz fulgurante, as sombras vão fugir<br />
Ó oceano, divida-se agora<br />
Ou seque, queime, evapore e vá embora</p>
<p>Ninguém pode ma abater, quem vai me ferir?<br />
Cuidado, ó montanhas, saiam do caminho<br />
Ou serão abaladas e derrubadas hoje<br />
Amigos, conselheiros, não percam o seu tempo<br />
Sigam minhas ordens, destruam a morte</p>
<p>Ninguém pode me abater, quem vai me ferir?<br />
Cavalgo a tempestade montado no vento<br />
Minha arma é o raio e meu tiro é certeiro<br />
Eu sou um caçador que caça e que devora<br />
As matas, montanhas, a terra e o mar</p>
<p>Ninguém pode me abater, quem vai me ferir?<br />
Atrelo a carruagem destinos e deuses<br />
Na voz do trovão eu proclamo a todos<br />
Soprem ó ventos, ressoem trombetas<br />
Liberdade! Liberdade! Liberdade! Om!</p>
<p>Paz para Todos os Seres!!!</p>
<p>Mar</p>
<div class="shr-publisher-645"></div><!-- Start Shareaholic LikeButtonSetBottom Automatic --><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><div class='shareaholic-like-buttonset' style='float:none;height:30px;'><a class='shareaholic-fblike' data-shr_layout='button_count' data-shr_showfaces='false' data-shr_href='http%3A%2F%2Fpsique.org%2Farchives%2F645' data-shr_title='Can%C3%A7%C3%A3o+do+Swami+Ram+Tirtha+%28santo+indiano+do+s%C3%A9culo+XIX%29'></a><a class='shareaholic-fbsend' data-shr_href='http%3A%2F%2Fpsique.org%2Farchives%2F645'></a><a class='shareaholic-googleplusone' data-shr_size='medium' data-shr_count='true' data-shr_href='http%3A%2F%2Fpsique.org%2Farchives%2F645' data-shr_title='Can%C3%A7%C3%A3o+do+Swami+Ram+Tirtha+%28santo+indiano+do+s%C3%A9culo+XIX%29'></a></div><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><!-- End Shareaholic LikeButtonSetBottom Automatic -->]]></content:encoded>
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		<title>Como a mente se engana?</title>
		<link>http://psique.org/archives/608</link>
		<comments>http://psique.org/archives/608#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 20 Oct 2010 15:26:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marilda Limberger</dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[meditação]]></category>

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		<description><![CDATA[Eis uma pergunta que em algum momento qualquer praticante budista se faz: afinal de contas, se temos uma natureza livre, desobstruída, como é que nos enganamos? Como surge a ignorância? Nem precisa ser praticante budista para pensar numa questão dessas: &#8230; <a href="http://psique.org/archives/608">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><p><a rel="attachment wp-att-609" href="http://psique.org/archives/608/flor_de_lotus_imagelarge-2"><img class="alignleft size-medium wp-image-609" title="flor_de_lotus_imagelarge" src="/wp-content/uploads/2010/10/flor_de_lotus_imagelarge-266x300.jpg" alt="" width="266" height="300" /></a>Eis uma pergunta que em algum momento qualquer praticante budista se  faz: afinal de contas, se temos uma natureza livre, desobstruída, como é  que nos enganamos? <strong>Como surge a ignorância?</strong></p>
<p>Nem precisa ser praticante budista para pensar numa questão dessas:  quem nunca teve alguma atitude lamentável e depois de um tempo não  pensou “como é que eu fui capaz de fazer aquilo?” Por que só percebemos a  bobagem um tempo depois e não antes de cometê-la?<span id="more-608"></span></p>
<p>Na palestra de lançamento do livro <em>A Roda da Vida como caminho para a lucidez</em>, em São Paulo, Lama Padma Samten esclarece com sua maestria e bom humor que, na verdade,<strong> a mente nunca se engana</strong>!  Ela só opera dentro de uma determinada paisagem, com referenciais  próprios. Essa paisagem seria como um ambiente mental, com referenciais e  conceitos específicos. A mente sempre vai agir segundo esse ambiente em  que está imersa, sempre respeitando os pressupostos da paisagem. Logo, a  mente nunca erra!</p>
<p><strong>A ignorância e o engano surgem quando reduzimos o mundo todo à paisagem em que estamos</strong> e passamos a agir segundo tal paisagem, não entendendo que ela é uma  coisa bem particular e não corresponde a uma realidade absoluta.</p>
<h1><a rel="attachment wp-att-610" href="http://psique.org/archives/608/ilusao-de-otica-14"><img class="alignleft size-medium wp-image-610" title="ilusao-de-otica-14" src="/wp-content/uploads/2010/10/ilusao-de-otica-14-268x300.jpg" alt="" width="268" height="300" /></a>Nosso mundo não é senão nossa experiência do mundo</h1>
<p>Temos a sensação que a paisagem em que estamos é, de fato, o mundo  todo. É daí que brota o engano: dessa certeza, dessa sensação de vermos  tudo. Nem pensamos sobre o fato de que, quando vemos uma coisa, não  vemos outra, quando estamos numa paisagem, não estamos em outra, logo,  há uma limitação. É como a figura das pernas ali em cima: quando vemos  as pernas masculinas, não vemos as femininas e vice-e-versa. O mesmo  acontece no exemplo do cubo que o Lama Samten costuma usar.</p>
<p>É por isso que fazemos as bobagens: no momento da ação não vemos  outras alternativas e por isso temos a certeza de que aquilo que estamos  fazendo é o que tem que ser feito,  seja gritar com alguém, ou o que  for. Isso não vale só para as “bobagens” da vida. <strong>Qualquer coisa que vemos e fazemos depende da paisagem em que estamos.</strong> É um processo muito sutil, basta olharmos para o nosso mundo interno  que vamos começar a paulatinamente perceber que as paisagens determinam  nossa visão de mundo.</p>
<p>Nessa mesma palestra, Lama Samten lembra que a humanidade passou  séculos acreditando que o Sol girava ao redor da Terra.  O homem passou  um longo tempo sem conseguir ultrapassar os limites dessa paisagem,  tomando-a como fixa. Até que alguns homens corajosos furaram a bolha  dessa paisagem e provaram para nossos olhos físicos que a visão de mundo  tinha de ser expandida! Mas nós sabemos o quanto foi custoso para  homens como Copérnico, Galileu e Giordano Bruno introduzir novas visões  de mundo. As pessoas estavam fixadas à visão de mundo anterior a eles,  assim como nós estamos fixados a muitas de nossas paisagens.</p>
<p>Mas afinal, como criamos as diferentes visões de mundo e como ficamos presos a elas? Lama Samten explica que <strong>nossa natureza livre e desobstruída cria as diferentes paisagens e até mesmo a própria fixação a elas</strong>. Essa compreensão é de crucial importância, pois percebemos que as paisagens em que as pessoas se encontram <strong>não são fixas</strong>, são construídas, portanto, podem ser substituídas por paisagens mais elevadas!</p>
<p>Para mim, a parca compreensão do conceito de paisagem foi muito  libertadora! Perceber que os seres agem a partir das paisagens em que  estão imersos me fez finalmente entender porque não há como julgarmos  nada de certo e de errado, pois esses conceitos só fazem sentido quando  analisamos uma ação com referenciais diferentes daqueles da paisagem em  que a ação foi cometida. Por exemplo: eu direi que a atitude do meu  namorado de gritar comigo está errada, pois EU não estou na paisagem  onde o grito possa surgir, assim eu estou analisando a atitude dele a  partir da paisagem em que EU estou e não a partir da que ELE está, logo,  direi que ele está errado e que ele é um ser horrível por gritar  comigo. Mal percebo eu que, basta ele pisar na bola que eu entro  facilmente na paisagem que ele estava e passo a gritar com ele mais alto  ainda.</p>
<p>Portanto, se estivermos numa paisagem muito negativa, do reino dos  infernos, por exemplo, é completamente possível que venhamos a agredir  ou até a matar alguém. Dentro da paisagem desse reino, matar pode  parecer o correto a se fazer. Porém, sabemos que essas ações nos trarão  muitos problemas. Além disso, como nossas paisagens flutuam o tempo  todo, logo saímos da paisagem negativa,  percebemos o equívoco e vamos  nos sentir muito mal. Por isso, <strong>precisamos olhar com cuidado para o nosso mundo interno e perceber com que paisagens estamos andando por aí e começar a tr</strong><strong>ansformá-las em paisagens mais positivas</strong>,  para que enfim nossas ações também o sejam. Caso contrário, estaremos  fazendo um monte de bobagens e nem vamos desconfiar disso, afinal,  dentro das paisagens específicas as coisas fazem sentido.</p>
<h1>Visão, meditação, ação</h1>
<p>Lama Padma Samten nos lembra a todo o momento da nossa natureza  livre, que nos dá a extraordinária possibilidade de construir as  melhores paisagens, as mandalas positivas, que no Budismo chamamos de  Terras Puras, onde os seres estão empenhados em construir ambientes mais  lúcidos para benefício de todos.  Só iremos perceber que temos essa  extraordinária natureza praticando a percepção dela.</p>
<p>Ainda que entendamos bem o funcionamento das paisagens, não estamos  livres das paisagens negativas se instalarem sem percebermos. Não  estamos livres delas, porque muitas vezes esse entendimento é só no  nível de <strong>visão</strong>; é teórico, mas importante.  Mesmo  entendendo bem das paisagens, eu mesma recentemente gritei  enlouquecidamente com um amigo, virei um monstro na frente dele por  questões bem pequenas.</p>
<p>Reconhecendo que o buraco é bem mais em baixo, precisamos investir na etapa da <strong>meditação</strong>,  na qual tornaremos vivo o entendimento gerado na etapa de visão e assim  reconheceremos a inutilidade do surto antes que ele tome conta de nós.  Para então podermos efetivar a etapa de <strong>ação</strong> no mundo e realmente poder trazer benefícios verdadeiros aos seres!</p>
<p>Dedico esse texto a todos os seres sencientes, mas principalmente ao  querido amigo com quem gritei recentemente. Minhas sinceras desculpas!</p>
<p>Fonte:  http://bodisatva.com.br/como-que-a-mente-se-engana/</p>
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		<title>Sidarta  Hermann Hesse</title>
		<link>http://psique.org/archives/511</link>
		<comments>http://psique.org/archives/511#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 10 Aug 2010 17:34:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marilda Limberger</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[meditação]]></category>

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		<description><![CDATA[O livro narra a busca de Sidarta pela iluminação na Índia. Educado, bonito, filho de um homem rico, ele procura a luz com os Samanas, que vivem para pensar, esperar e jejuar. Descobre Buda, mas não aceita sua doutrina. É &#8230; <a href="http://psique.org/archives/511">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } --><a rel="attachment wp-att-513" href="http://psique.org/archives/511/buda-2"><img class="alignleft size-medium wp-image-513" title="BUDA" src="/wp-content/uploads/2010/08/BUDA1-238x300.jpg" alt="" width="238" height="300" /></a>O livro narra a busca de Sidarta pela iluminação na Índia. Educado, bonito, filho de um homem rico, ele procura a luz com os Samanas, que vivem para pensar, esperar e jejuar. Descobre Buda, mas não aceita sua doutrina. É iniciado nos jogos do amor por uma cortesã, mas só encontra a decadência e decide abandonar tudo. Torna-se então balseiro num rio junto ao sábio Vasudeva e só então conhece a redenção.<span id="more-511"></span></p>
<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } 		H3 { margin-bottom: 0.21cm } --></p>
<h3>Capítulo 1- O Filho do brâmane</h3>
<p>Sidarta é um jovem promissor que vive num povoado brâmane. Talentoso, esbelto, ávido pelo saber,  era adorado por todos. Estava avançado nos ensinamentos brâmanes e todos viam nele um futuro brilhante. Pressentia-se nele um sábio, um sacerdote, um príncipe entre os brâmanes. E quem mais o adorava era seu amigo Govinda. Mas para si mesmo, Sidarta não tinha alegria. Para si mesmo não era fonte de prazer. Abrigava em suas entranhas o descontentamento. Sentia que o amor que recebia de todos nem sempre teria força para alegrá-lo. Também sentia que já tinha absorvido os principais ensinamentos brâmanes, mas não eram suficientes. Questionava a validade dos rituais: “As abluções, por proveitosas que fossem, eram apenas água; não tiravam dele o pecado; não curavam a sede do espírito; não aliviavam a angústia do coração. Excelentes eram os sacrifícios e as invocações dos deuses- mas que lhe adiantava tudo isso? Propiciavam os sacrifícios a felicidade? E quanto aos deuses: foi realmente Prajapati quem criou o mundo? E não o Átman? Ele, o único, o indivisível?”&#8230;”Quem merecia imolações e reverência, senão Ele, o único, o Átman? E onde se podia encontrar o Átman, onde morava ele&#8230; a não ser no próprio eu, naquele âmago indestrutível que cada um trazia em si?” Insatisfeito com isso, resolveu unir-se a um grupo de samanas (sábios mendigos nômades) que passavam pela cidade, para encontrar sua felicidade e o seu caminho. Depois de receber a permissão de seu pai (que tristemente a concedeu), partiu para os samanas junto com Govinda.</p>
<h3><a name="Cap.C3.ADtulo_2-_Com_os_samanas"></a>Capítulo 2- Com os samanas</h3>
<p>Com os samanas, Sidarta aprendeu a jejuar. “A carne sumia-lhe das pernas e da face”. Passando pelas cidades, olhava a vida nela com desprezo. “&#8230; nada disso era digno de ser olhado. Tudo era mentira, tudo fedor; tudo recendia a falsidade, tudo criava a ilusão de significado, felicidade, beleza e, todavia, não passava de putrefação oculta. Amargo era o sabor do mundo. A vida era um tormento”. O objetivo de Sidarta era tornar-se vazio, vazio de sede, vazio de desejos, vazio de alegria e de pesar. “Exterminar-se, distanciando-se de si mesmo; cessar de ser um eu”.</p>
<p>Esse era o objetivo e a filosofia de vida dos samanas. Assim, meditavam, jejuavam, transferiam sua alma para garças e viviam a vida das garças, transferiam sua alma para chacais mortos e vivenciavam a autodecomposição. Encarnavam pedras, troncos, folhas e árvores.</p>
<p>Os dois passam três anos na companhia dos Samanas. Sidarta notou que o modo de vida samana é uma forma de fugir da vida e do eu, e resolve parar de segui-los, fator catalisado pelo surgimento de Buda, que estava arrebanhando vários discípulos e que havia alcançado a Iluminação. Há um diálogo interessante entre Sidarta e Govinda em que Sidarta diz: “O que é a meditação? O que é o abandono do corpo? Que significa jejum? E a suspensão do fôlego? São modos de fugirmos de nós mesmos. São momentos durante os quais o homem escapa à tortura de seu eu. Fazem-nos esquecer, passageiramente, o sofrimento e a insensatez da vida”. Sidarta também nota que nenhuma doutrina é capaz de fazer a pessoa atingir a iluminação, apenas a vivência tem essa capacidade. E os dois vão ao encontro de Buda.</p>
<h3><a name="Cap.C3.ADtulo_3-_Gotama"></a> Capítulo 3- Gotama</h3>
<p>Nesse capítulo os dois amigos encontram Buda e ouvem sua doutrina. Govinda resolve unir-se aos discípulos de Buda, enquanto, Sidarta confirma sua teoria de que nenhuma doutrina, somente a vivência, pode levar e iluminação.</p>
<p>Ouvindo Buda, Sidarta não manifestou muito interesse em sua doutrina, mas observou atentamente sua silhueta, seus gestos, sua voz, os ombros, os pés. “Parecia-lhe que as falanges de cada dedo eram doutrina, falavam, respiravam, exalavam aroma, derramavam o brilho da verdade”.</p>
<p>Em um diálogo entre Buda e Sidarta, Sidarta manifestou seu apreço pela doutrina, e disse que não seria seu discípulo, pois a iluminação não pode ser ensinada por doutrinas, só por vivência, e que Buda não contara como foi sua experiência na hora da iluminação, porque isso era impossível de ser descrito. Portanto, seguiria o seu próprio caminho sem nenhuma doutrina e nenhum mestre, até alcançar seu destino ou morrer. Buda disse que o desígnio de sua doutrina é a redenção do sofrimento, nada mais. Nesse diálogo, há um trecho muito interessante em que Sidarta diz: “&#8230; Nós, os samanas, procuramos a redenção do eu, ó Augusto. Ora, seu eu fosse um dos teus discípulos, ó Venerável, poderia acontecer-me&#8230; Assim receio&#8230; que meu eu só aparentemente, falaz mente, obtivesse sossego e redenção, mas na realidade continuasse a viver e a crescer, uma vez que eu teria então a tua doutrina, teria o fato de ser teu adepto, teria meu amor a ti, teria a comunidade dos monges e faria de tudo isso meu eu”. Govinda viu nas palavras de Buda um ideal de vida. Já Sidarta viu em Buda um modelo, um exemplo a ser seguido.</p>
<h3><a name="Cap.C3.ADtulo_4-_Despertar"></a>Capítulo 4- Despertar</h3>
<p>Despertar é um capítulo curto e denso, no qual Sidarta reavalia toda sua vida passada e a abandona, sentindo-se incomparavelmente só, pois não pertenceria a mais nenhum grupo, seria apenas Sidarta. Antes fora brâmane, samana&#8230; agora, apenas ele mesmo “&#8230; lhe parecia que o verdadeiro pensar consistia no reconhecimento das causas e que, desse modo, o sentir se convertia em saber, o qual, em vez de dissipar-se, criaria forma concreta e irradiaria seu teor”.</p>
<p>“Mas que desejaste aprender dos teus mestres e extrair dos seus preceitos? Que será aquilo que eles, que tanto te ensinaram, não conseguiram propiciar-te?”&#8230; “Era meu desejo conhecer o sentido e a essência do eu, para desprender-me dele e superá-lo. Apenas logrei iludi-lo. Consegui, sim, fugir dele e furtar-me às suas vistas. Realmente, nada neste mundo preocupou-me tanto quanto esse eu, esse mistério de estar vivo, de ser um indivíduo, de achar-me separado e isolado de todos os demais, de ser Sidarta! E de coisa alguma sei menos do que sei quanto a mim, Siddharta!”</p>
<p>“O fato de eu não saber nada a meu próprio respeito, o fato de Sidarta ter permanecido para mim um ser estranho, desconhecido, tem sua explicação numa única causa: tive medo de mim; fugi de mim mesmo! Procurei o Átman, procurei o Brama, sempre disposto a fraturar e a pelar o meu eu, a fim de encontrar no seu âmago ignoto o núcleo de todas as cascas. Mas, enquanto fazia isso, perdi-me a mim mesmo”.</p>
<p>“Olhou para o mundo a seu redor, como se o enxergasse pela primeira vez. Belo era o mundo! Era variado, era surpreendente e enigmático! Lá, o azul; acolá, o amarelo! O céu a flutuar e o rio a correr, o mato a eriçar-se e a serra também! Tudo lindo, tudo misterioso e mágico! E no centro disso tudo se achava Siddharta, a caminho de si próprio&#8230;” “Não havia mais aquela multiplicidade absurda, casual, do mundo dos fenômenos, desprezada pelos profundos pensadores brânames, que rejeitam a multiplicidade e esforçam-se por achar a unidade&#8230;” “&#8230; O sentido e a essência das coisas não se achavam em algum lugar atrás das coisas, senão no seu interior”.</p>
<p>“&#8230; “andei deveras surdo e insensível”&#8230;”Quem puser a decifrar um manuscrito, cujo significado lhe interessar, tampouco menosprezará os sinais e as letras, qualificando-os de ilusão&#8230; senão os lerá, estuda-los-á, ama-los-á, letra por letra. Eu, porém, que almejava ler o livro do mundo e o livro da minha própria existência, despreze os sinais e as letras, em prol de um significado que lhes atribuía de antemão. Chamei de ilusão o mundo dos fenômenos. Considerei meus olhos e minha língua apenas aparentes, casuais, desprovidas de valor. Ora, isso passou. Despertei. Despertei de fato. Nasci somente hoje.” ”</p>
<h3><a name="Cap.C3.ADtulo_5-_Kamala"></a> Capítulo 5- Kamala</h3>
<p>Nesse capítulo, Sidarta observa mais atentamente o mundo ao seu redor. Observava-o ingenuamente, sem procurar nele o essencial. Refletia enquanto isso, pensando que não era importante somente pensar&#8230; e sim também sentir. Pensou que, doravante, que obedeceria unicamente sua voz íntima. Atraído pela beleza da cortesã Kamala, entra numa cidade e pede que ela lhe ensine a arte dos prazeres. Como era preciso ter riquezas para poder usufruir dos “lábios de figo recém-cortado” de Kamala, Sidarta, que sabia ler e escrever, tenta arranjar um emprego com o comerciante mais rico da cidade.</p>
<h3><a name="Cap.C3.ADtulo_6-_Entre_os_homens_tolos"></a> Capítulo 6- Entre os homens tolos</h3>
<p>Siddharta emprega-se com o comerciante, consegue dinheiro e tem aulas de beijos e outras coisas com Kamala. Come somente o necessário, não toma vinho. Vê a vida dos “homens tolos” como engraçada, zomba da vida deles. Acha engraçado quando o comerciante fica irritado quando perde dinheiro. Fazia amizades e viajava. Torna-se sócio do comerciante. Contudo, às vezes sente que tudo que fazia não passava de uma brincadeira, que a verdadeira vida estava longe disso.</p>
<h3><a name="Cap.C3.ADtulo_7-_Sansara"></a>Capítulo 7- Sansara</h3>
<p>Siddharta enriquecera. Lentamente, começou a adquirir asco e rancor pela vida. Comia mais que o necessário, tomava vinho. Adquiriu o hábito de jogar jogos valendo dinheiro. Como gostava de apostar quantias bastante altas, para provar que nada daquilo lhe importava, tornou-se mais severo com seus devedores para poder apostar mais vezes. Irritava-se quando perdia dinheiro. Notou que faltava alguma coisa a ele em relação aos demais, nunca poderia apegar-se às pessoas e as coisas como os demais, era incapaz de amar.</p>
<p>Recém estava na casa dos quarenta, mas já notava alguns fios de cabelo branco. Também não ouvia mais sua voz interior.</p>
<p>Uma noite bebera bastante. Tentava dormir, mas não conseguia. “Por longas horas procurava em vão conciliar o sono, com o coração a transbordar de mágoas que lhe pareciam insuportáveis, de náuseas que o transiam como o gosto fastidioso, repugnante, do vinho&#8230;” “&#8230;mas, muito mais do que todo o resto, causavam-lhe asco a sua própria pessoa, os cabelos perfumados, o bafo de vinho que sua boca exalava, a flacidez e o mal-estar de sua pele.”</p>
<p>“Siddharta, nessa noite de insônia, desejava lançar para fora de si, num imenso jato de enjoo, aqueles prazeres, aqueles hábitos, aquela vida absurda e livrar-se de si mesmo&#8230;” “&#8230;foi nesse instante que teve um sonho. Numa gaiola de ouro, Kamala guardava um passarinho canoro, muito raro. O pássaro, que normalmente cantava nas primeiras horas do dia, parecia mudo. Como esse fato lhe chamasse atenção, ele aproximou-se da gaiola e viu que o passarinho jazia no chão, morto, enrijecido. Retirou-o e atirou-o na calçada da rua. Mas logo assustou-se terrivelmente. O coração doía-lhe como se ele houvesse jogado fora não só o cadáver da ave, como também tudo quanto fosse bom e tivesse valor.” Despertou bruscamente, sentindo profunda tristeza. “Atormentava-o a impressão de ter levado uma existência vil, miserável, insensata”. Sentou-se embaixo de sua mangueira no seu jardim e começou a pensar e a reavaliar sua existência. Passou todo dia refletindo, até que pensou: “ “&#8230;Aqui estou, ao pé da minha mangueira, no meu jardim”&#8230; E esboçou um leve sorriso, ao ponderar se tudo isso era necessário , importante e certo, e não apenas um brinquedo tolo, possuir uma mangueira e um jardim?” Resolutamente, resolveu dar fim a esse estado das coisas, saindo da cidade e nunca mais voltando.</p>
<h3><a name="Cap.C3.ADtulo_8-_A_Beira_do_Rio"></a>Capítulo 8- A Beira do Rio</h3>
<p>Nesse capítulo Siddharta vagueia pela floresta, triste e desiludido consigo mesmo. Sentia nojo de si próprio. Subiu no tronco de uma árvore e planejou suicidar-se, se jogando num rio. Porém, quando viu o rio, proferiu a palavra Om, e dormiu. Depois de um longo sono, acordou proferindo Om novamente. Era como tivesse rejuvenescido, renascido. Era como se sua vida passada fosse uma outra reencarnação. Encontrou Govinda vigiando o seu sono, observando-o, notou que o amava, e que “&#8230; a grave doença de que sofrerá até poucas horas antes manifestara-se precisamente na incapacidade de amar nada e ninguém.”</p>
<p>“ Que bom- assim pensou- provar tudo quanto se necessita conhecer! Em criança, já aprendi que a riqueza e os prazeres mundanos não nos trazem nenhum proveito. Há muito tempo sabia disso, mas somente agora cheguei a assimilar essa sabedoria. Hoje me compenetrei dela. Possuo-a não só na memória, senão nos olhos, no coração, no estômago. É uma benção ter essa certeza” “Ouviste o canto do pássaro no fundo do teu coração e obedeceste a ele!” “Sempre se pavoneara com altivez; sempre quisera ser o mais inteligente, o mais zeloso&#8230; nesse sacerdócio, nessa altivez, nessa erudição infiltrava-se o seu eu; ali se arraigara, crescera, enquanto ele, Siddharta, cria tê-lo aniquilado por meio de jejuns e mortificações”</p>
<h3><a name="Cap_9_.E2.80.93_O_Barqueiro"></a> Cap 9 – O Barqueiro</h3>
<p>Neste capítulo, Sidarta reencontra o barqueiro que tinha feito a travessia do rio com ele no começo de sua jornada, após Sidarta ter se desgarrado de Govinda e da doutrina de Gotama. Sidarta passa a morar junto de Vasudeva e torna-se discípulo do rio, tal qual o barqueiro viúvo. Passados alguns anos, Kamala ressurge devido à peregrinação que faz em memória do Buda, quando é picada por uma serpente e vem a falecer, mas não antes de apresentar o filho de Sidarta ao pai.</p>
<h3><a name="Cap_10_.E2.80.93_O_Filho"></a>Cap 10 – O Filho</h3>
<p>Sidarta passa a viver com seu filho na casa de Vasudeva. Sidarta tenta se aproximar de seu filho, mas não obtém sucesso. Sidarta (filho) foge para a cidade e Sidarta (pai) vai em sua procura, mesmo Vasudeva o aconselhando a não fazer isso. Após muito meditar, Sidarta aceita o conselho de Vasudeva e desiste da busca por seu filho.</p>
<h3><a name="Cap_11_.E2.80.93_Om"></a>Cap 11 – Om</h3>
<p>Sidarta continua a pensar no seu filho, principalmente quando faz a travessia de balsa, já que Vasudeva já não tem idade e nem força para fazê-lo, de pais com seus filhos. Sidarta acaba se conformando e, ao perceber que Sidarta havia assimilado o conhecimento que o rio queria passar, parte em uma jornada pela selva.</p>
<h3><a name="Cap_12_.E2.80.93_Govinda"></a> Cap 12 – Govinda</h3>
<p>No capítulo final Govinda recebe uma noticia sobre um balseiro que é considerado sábio e vai conhecê-lo pessoalmente. Após algum tempo de conversa com balseiro Govinda percebe que é seu velho amigo Sidarta e que ele havia encontrado o que ele tanto procurava, pois mostrava em seu rosto serenidade e paz.</p>
<p>Para saber mais:</p>
<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } 		H3 { margin-bottom: 0.21cm } --><a rel="attachment wp-att-514" href="http://psique.org/archives/511/hermann_hesse"><img class="alignleft size-medium wp-image-514" title="hermann_hesse" src="/wp-content/uploads/2010/08/hermann_hesse-300x218.jpg" alt="" width="300" height="218" /></a>Hermann Hesse nasceu em 1877, em Calw (Alemanha), filho de missionários protestantes. Entra cedo em choque com os pais, que queriam o filho pastor; não se submete à disciplina da escola e foge para a Suíça.</p>
<p>Hesse trabalha, então, como livreiro. Dedica-se à poesia e publica &#8220;Poemas&#8221; (1902). Dois anos depois, o romance &#8220;Peter Camenzind&#8221; &#8211; história de um jovem que se rebela contra sua aldeia natal e foge &#8211; tem grande aceitação de crítica e público.</p>
<p>O jovem escritor casa-se, mas continua revoltado contra o meio burguês e as convenções sociais &#8211; como se lê em &#8220;Gertrud&#8221; (1910). Muda-se para a Índia e conhece o budismo, que adotaria pelo resto da vida.</p>
<p>Após o início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, engaja-se em atividades contra o militarismo alemão. Em 1919, publica &#8220;Demian&#8221;, influenciado pelas idéias do psicanalista Carl G. Jung.</p>
<p>&#8220;Sidarta&#8221; é de 1922. Sem encontrar a solução para seus problemas na Índia, conta a história de sua vida em &#8220;O Lobo da Estepe&#8221; (1927). Em 1943, publica &#8220;O Jogo das Contas de Vidro&#8221;, romance utópico, situado no ano de 2200.</p>
<p>Entre seus outros livros, vale citar, em especial, os romances &#8220;Rosshalde&#8221; (1913), &#8220;Knulp&#8221; (1915) e &#8220;Narciso e Goldmund&#8221;(1930). Prêmio Nobel de literatura em 1946, Hermann Hesse morreu em 1962, na cidade de Montagnola (Suíça).</p>
<h3>Fonte: Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.</h3>
<p>Folha de São Paulo: Resumo de Livros</p>
<p>Adquira o livro no Submarino (clique na imagem abaixo para ver os detalhes):</p>
<p><a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/59916/sidarta?franq=127800"><img class="alignnone" title="Aquira aqui o livro Sidarta" src="http://i.s8.com.br/images/books/cover/img6/59916.jpg" alt="Adquirir o livro Sidarta" width="180" height="180" /></a></p>
<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } --></p>
<div class="shr-publisher-511"></div><!-- Start Shareaholic LikeButtonSetBottom Automatic --><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><div class='shareaholic-like-buttonset' style='float:none;height:30px;'><a class='shareaholic-fblike' data-shr_layout='button_count' data-shr_showfaces='false' data-shr_href='http%3A%2F%2Fpsique.org%2Farchives%2F511' data-shr_title='Sidarta++Hermann+Hesse+'></a><a class='shareaholic-fbsend' data-shr_href='http%3A%2F%2Fpsique.org%2Farchives%2F511'></a><a class='shareaholic-googleplusone' data-shr_size='medium' data-shr_count='true' data-shr_href='http%3A%2F%2Fpsique.org%2Farchives%2F511' data-shr_title='Sidarta++Hermann+Hesse+'></a></div><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><!-- End Shareaholic LikeButtonSetBottom Automatic -->]]></content:encoded>
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		<title>Um cérebro espiritual</title>
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		<pubDate>Thu, 27 May 2010 18:04:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marilda Limberger</dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[meditação]]></category>
		<category><![CDATA[psicanálise]]></category>

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		<description><![CDATA[Por: Roberto Lent Um cérebro espiritual A autotranscendência, aspecto da personalidade associado aos valores espirituais do ser humano e que pode ser alcançado por meio da meditação, se expressa em graus variados nos indivíduos em função da atividade de certas &#8230; <a href="http://psique.org/archives/367">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><p><a href="http://psique.org/wp-content/uploads/2010/05/um4-cerebro05.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-371" title="um4-cerebro05" src="http://psique.org/wp-content/uploads/2010/05/um4-cerebro05-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a>Por: Roberto Lent</p>
<p>Um cérebro espiritual<br />
A autotranscendência, aspecto da personalidade associado aos valores espirituais do ser humano e que pode ser alcançado por meio da meditação, se expressa em graus variados nos indivíduos em função da atividade de certas áreas do cérebro<br />
Que nota você daria, de 0 a 10, para mensurar a aplicação da seguinte frase a si mesmo(a)? “Frequentemente fico tão fascinado(a) com o que estou fazendo que me perco nesse momento e me sinto fora do tempo e do espaço.” Ou então desta: “Muitas vezes me sinto tão ligado(a) às pessoas à minha volta que é como se não existisse separação física entre nós.” Ou ainda: “Sou fascinado(a) pelas muitas coisas da vida que não podem ser explicadas cientificamente.”<span id="more-367"></span><br />
Se você pontuou alto para essas afirmativas, é possível que seja dotado(a) do que os psicólogos chamam de ‘autotranscendência’, um dos aspectos da personalidade que alguns de nós possuem em grau mais elevado do que outros.<br />
Personalidades<br />
<a href="http://psique.org/wp-content/uploads/2010/05/um-cerebro02.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-368" title="um-cerebro02" src="http://psique.org/wp-content/uploads/2010/05/um-cerebro02.jpg" alt="" width="168" height="200" /></a>Gravura sobre fisiognomiaGravura de Johann Kaspar Lavater (1741-1801), fundador da &#8216;fisiognomia&#8217;, que ilustra os quatro tipos de personalidade admitidos no século 18.<br />
Todos nós intuímos o que seja a personalidade, mas na verdade é muito difícil definir esse conceito, e mais ainda avaliar ou medir de algum modo as suas características. No século 18, uma corrente que ficou conhecida como fisiognomia acreditava que seria possível conhecer a personalidade das pessoas por meio de sua face – daí a consagração do termo fisionomia para descrever a expressão facial. De acordo com essa corrente, as características da expressão facial de um indivíduo seriam suficientes para classificar a sua personalidade como fleumática, colérica, sanguínea ou melancólica.<br />
Dentre as inúmeras teorias atuais da personalidade, destaca-se uma – proposta há pouco mais de dez anos – que correlaciona os tipos humanos com características genéticas e neurobiológicas. Trata-se da ideia de personalidade multidimensional, criada pelo psiquiatra norte-americano Claude Robert Cloninger, que atualmente trabalha na Universidade Washington, nos Estados Unidos. De acordo com Cloninger, existiriam três dimensões da personalidade, geneticamente independentes, funcionalmente interligadas, e vinculadas, cada uma delas, a um sistema neural distinto: ‘busca do novo’, ‘evitação de danos’ e ‘dependência de recompensa’.<br />
A ‘busca do novo’ é entendida como “uma tendência à atividade exploratória e a um intenso prazer frente a estímulos novos”. Pessoas que têm esse perfil mais desenvolvido tendem a ser impulsivas, exploratórias, excitáveis, extravagantes, desorganizadas, ao contrário de outras que não possuem essa característica de modo muito marcante, e por isso são reflexivas, rígidas, estoicas, organizadas e persistentes. Está se reconhecendo? Então tente as dimensões seguintes.<br />
A ‘evitação de danos’, de acordo com Cloninger, seria a “tendência a responder intensamente a estímulos desagradáveis, desenvolvendo comportamentos inibitórios de modo a evitar punições, frustrações e perdas afetivas”. Quem tem essa característica seria geralmente cauteloso, tenso, apreensivo, medroso, inibido, tímido. Quem não tem é relaxado, desinibido, arrojado, energético.<br />
Por fim, a ‘dependência de recompensa’ reflete a tendência de alguns a moldar seu comportamento sempre em função de algum reforço positivo ou da perspectiva de alguma punição para seus atos.<br />
Se for possível medir a composição de nossa personalidade, será possível também relacionar cada um desses traços a regiões cerebrais que os determinariam<br />
Todos nós temos um pouco de cada uma dessas características, o que significa que talvez seja possível medir a composição de nossa personalidade e chegar a uma classificação das pessoas. Se isso for possível, será possível também relacionar cada um desses traços a regiões cerebrais que os determinariam. De fato, essa foi a perspectiva de Cloninger e seus colaboradores, que desenvolveram um vasto questionário capaz de mensurar essas três dimensões e cada uma de suas subdimensões.<br />
Autotranscendência<br />
Relacionar a personalidade com o cérebro foi o objetivo de um grupo multidisciplinar de pesquisadores, composto por psicólogos, filósofos e neurocirurgiões e liderado por Cosimo Urgesi, da Universidade de Udine, na Itália. O grupo acaba de publicar neste mês um estudo interessante sobre o tema na prestigiosa revista Neuron.<br />
A equipe trabalhou com um dos conceitos de Cloninger, o de autotranscendência, definida como um aspecto forte da personalidade de quem sempre busca algo elevado, maior do que a sua existência individual, algo ligado a valores espirituais elaborados que a humanidade cultiva pela ética, pela arte, pela cultura e pela religião (entendida como crença em um poder divino, e não como os rituais correspondentes). Cada indivíduo pode pender para uma característica diferente, mas em todos os casos são relatados “sentimentos oceânicos”, nas palavras do fundador da psicanálise, o médico austríaco Sigmund Freud (1856-1939).<br />
Dentre os questionários de Cloninger (escalas, no jargão técnico), alguns deles permitem medir o grau de manifestação das várias características da autotranscendência, muitas vezes considerada a expressão psicológica concreta da espiritualidade. A autotranscendência seria a tendência mental de superar os limites do próprio corpo e elevar-se a estados de consciência que nos absorvem completamente, fazendo-nos esquecer do mundo e dos outros.<br />
Alguns a desenvolvem por meio do prazer da arte – a literatura, o cinema –, que é de tal modo envolvente que nos &#8216;descola&#8217; da realidade. Outros, religiosos de vários cultos, expressam a autotranscendência pela oração e variados rituais. A meditação é também um meio encontrado por alguns para transcender os limites do corpo e da percepção direta dos estímulos ambientais.<br />
<a href="http://psique.org/wp-content/uploads/2010/05/um3-cerebro03.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-370" title="um3-cerebro03" src="http://psique.org/wp-content/uploads/2010/05/um3-cerebro03-300x164.jpg" alt="" width="300" height="164" /></a>Quadro &#8216;A última ceia&#8217;Arte e religiosidade, dois aspectos da autotranscendência, em um quadro famoso de Leonardo da Vinci (1452-1519), &#8216;A última ceia&#8217;.</p>
<p>O grupo italiano estudou essa característica de personalidade em 88 pacientes com diferentes tipos de câncer cerebral, antes e depois da realização de cirurgias para a remoção dos tumores. Em alguns casos, o câncer atingia o próprio tecido cerebral (gliomas), em outros era circunjacente ao cérebro (meningiomas), o que permitiu excluir um possível efeito do ato cirúrgico por si só nos resultados, independentemente da remoção de tecido cerebral.<br />
Antes das cirurgias, um questionário com perguntas como as que você leu no início desta coluna era aplicado aos pacientes, o que possibilitava o levantamento quantitativo do seu perfil de personalidade, especificamente no que tange à autotranscendência. Após as intervenções cirúrgicas, o questionário era repassado aos mesmos indivíduos, permitindo verificar a ocorrência de alterações de personalidade provenientes da remoção de regiões cerebrais.<br />
É claro que a existência de um tumor no cérebro, por si mesma, poderia ser causadora de uma alteração de personalidade com relação às épocas anteriores à doença. E de fato um grupo de pacientes com glioma pontuava mais alto nas questões relativas à autotranscendência do que os pacientes com tumores externos ao sistema nervoso.<br />
O resultado mais marcante do trabalho foi a identificação de pequenas regiões situadas no córtex cerebral posterior cuja remoção causou aumento estatisticamente significativo da espiritualidade dos pacientes.<br />
Regiões cerebrais associadas à autotranscendênciaA remoção das pequenas regiões cerebrais em vermelho foi associada a um aumento da autotranscendência nos pacientes examinados antes e depois da cirurgia de retirada de um tumor. <a href="http://psique.org/wp-content/uploads/2010/05/um2-cerebro04.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-369" title="um2-cerebro04" src="http://psique.org/wp-content/uploads/2010/05/um2-cerebro04-300x129.jpg" alt="" width="300" height="129" /></a>Em A, aparece marcado o lobo parietal posterior, em B o giro angular (imagem: Urgesi e colaboradores/ Neuron).</p>
<p>Quando a remoção de uma região cerebral causa aumento de uma função, os neurocientistas interpretam o resultado atribuindo a essa região um papel inibitório. Isso significa que alguma outra região (ou regiões) produz os “sentimentos oceânicos” a que se refere Freud, mas é normalmente inibida pelo córtex parietal posterior em maior grau em algumas pessoas do que em outras. Nos pacientes, após a cirurgia, a inexistência dessa região inibitória teria provocado o aumento da autotranscendência observado.<br />
Esses resultados mostram que já vão longe os tempos do filósofo francês René Descartes (1596-1650), dualista ferrenho que considerava distintos e independentes os mecanismos da mente e os circuitos funcionais do cérebro. A mente é um produto do cérebro, e a personalidade que caracteriza a mente de cada indivíduo é possivelmente resultado da inter-relação entre a genética e o ambiente (educacional, cultural) na lapidação dos circuitos cerebrais correspondentes.<br />
Publicado Revista CiênciaHoje  em 26/02/2010-  Coluna Bilhões de Neurônios<br />
Roberto Lent<br />
Instituto de Ciências Biomédicas<br />
Universidade Federal do Rio de Janeiro</p>
<p>Sugestões para leitura:<br />
C.R. Cloninger (1994). Temperament and personality. Current Opinion in Neurobiology, vol. 4:266-273.<br />
C. Urgesi e colaboradores (2010). The spiritual brain: Selective cortical lesions modulate human self-transcendence. Neuron, vol. 65:309-319.</p>
<p>A coluna <em>Bilhões de neurônios</em> é publicada na última sexta-feira  do mês, desde abril de 2006. Ela é mantida pelo neurocientista Roberto  Lent, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Seus  textos apresentam novidades da neurociência. <a title="Bilhões de  neurônios" href="http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/bilhoes-de-neuronios/resolveuid/2b9a422b159daedebf5031c97d1e1008"></a> <span style="text-decoration: underline;"><a href="mailto:rlent@anato.ufrj.br"><span style="text-decoration: underline;">rlent@anato.ufrj.br</span></a></span></p>
<div class="shr-publisher-367"></div><!-- Start Shareaholic LikeButtonSetBottom Automatic --><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><div class='shareaholic-like-buttonset' style='float:none;height:30px;'><a class='shareaholic-fblike' data-shr_layout='button_count' data-shr_showfaces='false' data-shr_href='http%3A%2F%2Fpsique.org%2Farchives%2F367' data-shr_title='Um+c%C3%A9rebro+espiritual+'></a><a class='shareaholic-fbsend' data-shr_href='http%3A%2F%2Fpsique.org%2Farchives%2F367'></a><a class='shareaholic-googleplusone' data-shr_size='medium' data-shr_count='true' data-shr_href='http%3A%2F%2Fpsique.org%2Farchives%2F367' data-shr_title='Um+c%C3%A9rebro+espiritual+'></a></div><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><!-- End Shareaholic LikeButtonSetBottom Automatic -->]]></content:encoded>
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		<title>Respiração &#8211;  Inspiração</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Feb 2010 21:05:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marilda Limberger</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[meditação]]></category>

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		<description><![CDATA[Respiração Fenômeno rítmico: 2 fases : Inspiração e expiração Processo de Troca: através da inspiração oxigênio contido no ar é levado aos corpúsculos vermelhos do sangue, através da expiração expelimos dióxido de carbono. “Há duas bênçãos na respiração, absorver o &#8230; <a href="http://psique.org/archives/306">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop Automatic --><p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } 		A:link { so-language: zxx } 		A:visited { so-language: zxx } --><span style="font-size: medium;"><a href="http://psique.org/wp-content/uploads/2010/02/campo-4081_thumb.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-307" title="campo-4081_thumb" src="http://psique.org/wp-content/uploads/2010/02/campo-4081_thumb.jpg" alt="" width="150" height="113" /></a>Respiração</span></p>
<p>Fenômeno rítmico:</p>
<p>2 fases : Inspiração e expiração</p>
<p>Processo de Troca:  através da inspiração oxigênio contido no ar é levado aos corpúsculos vermelhos do sangue,  através da expiração expelimos dióxido de carbono.</p>
<p>“<em><strong>Há duas bênçãos na respiração, absorver o ar e soltá-lo outra vez; uma nos pressiona outra nos refresca, que mistura maravilhosa é a vida.” Goethe</strong></em></p>
<p><em>Spirare </em>significa respirar e <em>spirtus</em> significa espírito; a raiz de ambas as palavras num único termo:</p>
<p>“inspiração” e assim está ligada inseparavelmente a respirar para dentro ou seja deixar entrar.</p>
<p>Em grego,<em> psyche</em> tanto significa respiração como alma. Em sânscrito encontramos a palavra <em>atman</em>, na qual podemos logo ver o elo que liga a palavra  germânica atman(respirar).</p>
<p>Na língua hindu quando alguém atinge a perfeição é chamado de <em>mahatma</em>, que significa tanto grande alma como grande respiração.</p>
<p>Da doutrina hindu aprendemos também que a respiração é a portadora de verdadeira força vital à qual os indianos chamam <em>prana</em>.</p>
<p>Na história da criação(Bíblia) Deus soprou se hálito divino no torrão de barro que formara e que ao fazê-lo, deu a Adão uma alma viva.</p>
<p>Respiremos!</p>
<p>Om, Om, Om</p>
<p>Marilda Limberger</p>
<div class="shr-publisher-306"></div><!-- Start Shareaholic LikeButtonSetBottom Automatic --><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><div class='shareaholic-like-buttonset' style='float:none;height:30px;'><a class='shareaholic-fblike' data-shr_layout='button_count' data-shr_showfaces='false' data-shr_href='http%3A%2F%2Fpsique.org%2Farchives%2F306' data-shr_title='Respira%C3%A7%C3%A3o+-++Inspira%C3%A7%C3%A3o'></a><a class='shareaholic-fbsend' data-shr_href='http%3A%2F%2Fpsique.org%2Farchives%2F306'></a><a class='shareaholic-googleplusone' data-shr_size='medium' data-shr_count='true' data-shr_href='http%3A%2F%2Fpsique.org%2Farchives%2F306' data-shr_title='Respira%C3%A7%C3%A3o+-++Inspira%C3%A7%C3%A3o'></a></div><div style="clear: both; min-height: 1px; height: 3px; width: 100%;"></div><!-- End Shareaholic LikeButtonSetBottom Automatic -->]]></content:encoded>
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