Projeção
A projeção é um mecanismo de defesa que faz com que uma pessoa atribua um desejo ou impulso seu a alguma outra pessoa, ou mesmo a algum objeto não pessoal do mundo externo. Os vícios que atribuímos aos nossos inimigos, os preconceitos que manifestamos contra pessoas estranhas, contra os estrangeiros, contra os que têm a cor de pele diferente da nossa, e muitas de nossas superstições e crenças religiosas excêntricas são frequentemente produtos de projeções insconscientes de nossos próprios desejos e impulsos.
Identificação ou introjeção
Identificação ou introjeção é o mecanismo através do qual um indivíduo assimila um aspecto, uma propriedade, um atributo, de algo ou alguém e se transforma, total ou parcialmente, tornando-se semelhante ao modelo em um ou em vários aspectos do pensamento ou do comportamento. Laplanche e Pontalis destacam que a personalidade constitui-se e diferencia-se por uma série de identificações. Isto também é chamado modernamente de modelagem. É desta forma que o ser humano aprende por mimetismo, a entonação, a altura, a pronúncia, as expressões idiomáticas, enfim, as características todas da linguagem motora (é claro que todos sabemos que uma criança só pode aprender a falar depois que seu sistema nervoso central tenha amadurecido o suficiente e que a aquisição da linguagem como um todo está bem longe de ser apenas um simples processo de imitação). O que foi dito acima também é verdadeiro no que diz respeito aos maneirismos físicos, às atividades esportivas e intelectuais, a interesses os mais diversos, aos passatempos e à recreação em geral, e inclusive, às expressões de temperamento e emoções.
O mecanismo de identificação não ocorre apenas na infância, mas em todas as épocas da vida do ser humano. A modelagem sempre é possível, e sempre ocorre, via de regra inconscientemente. Modernas técnicas de interferência nas estratégias cerebrais, conscientemente, a fim de se instalarem modelos de excelência escolhidos adrede e criteriosamente.
Regressão
A regressão é um retorno mental a aspectos anteriores do desenvolvimento pessoal em busca de modalidades ou objetos mais remotos de gratificação. Este mecanismo de defesa relaciona-se intimamente com outro fenômeno psíquico denominado fixação, que é a permanência mental do indivíduo em alguma experiência ou pessoa de seu passado, experiência ou pessoa essas que lhe trariam o prazer que no momento ele entende não ter. Se um prazer atual se mostra insatisfatório, é posto de lado e o indivíduo tende a refressar mentalmente aquiele do passado que foi experimentado e representado como satisfatório. Neste sentido, uma mulher malsucedida num romance, por exemplo, pode regredira à fixação ao pai na infância, a fim de buscar a gratificação afetiva desejada e não obtida no tempo presente. Pode ser também qie essa mulher venha se dando mal em seus relacionamentos amorosos ao longo da vida por ter se mantido ligada ao pai na infância e deste modo ter se tornado incapaz de transferir sua afetividade a outro homem. Todo comportamento é últil em algum contexto, a regressão inclusive. Mas todo comportamento descontextualizado não só é inútil como também é desconfortável e, às vezes, intensamente desconfortável. Este desconforto é o que pode vir a constituir a psicopatologia, embora nem toda regressão seja necessariamente patalógica ( assim como nem todos os demais mecanismos de defesa o são).
Sublimação
A mente inconsciente trabalha de tal modo a conseguir o máximo de satisfação, quer dizer, de prazer, que seja possível na interação entre os impulsos instintivos e as limitações impostas pelo ambiente. A sublimação permite conciliar estes dois aspectos, os impulsos e as limitações, constituindo-se numa atividade substituta que se adapte ao mesmo tempo às motivações inconscientes e às restrições do ambiente. Por exemplo, impulsos extremamente agressivos ou anti-sociais podem sublimar-se ou processar-se vicariamente atráves de uma atividade aceitável como um esporte de contato do tipo judô ou boxe. Quebrar pratos num restaurante grego também pode cumprir este papel. Há, ainda, outro exemplo que pode nos ajudar a entender a sublimação: é comum nas crianças o desejo de brincar com as próprias fezes, ato este que é tornado proibido isistentemente por seus pais ou responsáveis. Em muitos casos, a criança sublima tal desejo brincando com lama, podendo posteriormente vir a manipular argila ou gesso e, eventualmente, tornar-se até um artista plástico, um escultor. Cada uma dessas atividades substitutas proporciona um pouco (ou muito) do prazer obtido na infância ao brincar com fezes, mas, como é óbvio, elas modificaram-se a tal ponto que podem obter plena aprovação social e fazer com que o impulso original se torne inconsciente.