Ciúme – Inveja

Ciúme

É um sentimento intimamente ligado à inveja, porém compreende uma relação de, pelo menos, mais outras duas pessoas envolvidas, de tal sorte que o indivíduo com ciúme sente que o amor que lhe é devido foi roubado, ou está em perigo de sê-lo , pelo seu rival. Assim, o ciumento teme perder o que ele julga pertencer-lhe, enquanto a pessoa invejosa sofre ao ver que o outro tem aquilo que ele quer exclusivamente para si mesmo e, desde modo, é-lhe penosa a satisfação alheia a ele. No caso em que o ciúme é resultante de um uso excessivo de identificações projetivas,  ele pode adquirir características delirantes.


Inveja e ciúme

Existe uma vinculação direta e íntima entre a inveja experimentada para a pessoa representativa da mãe original e o desenvolvimento do ciúme. Essa conceituação independe do vértice teórico, quer este parta da inveja primária dirigida ao seio nutridor da mãe, ou do conceito de inveja secundária, como uma reação e como um mecanismo defensivo contra as frustrações e humilhações providas do meio ambiente. A relação entre os sentimentos de inveja e ciúme explica-se pelo fato de que o pai (ou o seu pênis) converteu-se em uma posse da mãe, e é por essa razão que a criança, mesmo nas situações triangulares, quer roubar para si ou a mãe ou o pai e a posse exclusiva de um deles. Quando esse tipo de inveja incide em meninas, pode ocorrer que, em sua vida posterior, o êxito em uma relação com os homens vai adquirir o significado ciumento de uma vitória sobre outra mulher. Reciprocamente, o mesmo ocorre com os homens.

É comum que os sentimento de inveja e de ciúme coexistam na mesma pessoa, sendo que o grau de intensidade do ciúme percorre uma escala que vai desde um ocasional ciúme normal, passando pelo o ciúme neurótico, de natureza possessiva, obsecante e torturante, até atingir o grau de um ciúme delirante, psicótico, em que há uma perda do juízo crítico. Há uma proporção direta entre o nível de ciúme e a intensidade de inveja, na medida que ambos os sentimento estão baseado na crença imaginária da posse absoluta do objeto idealizado.

Na inveja, prevalece uma hostil negação da dependência do objeto necessitado. No ciúme delirante, há o reconhecimento da dependência do objeto, porém este é intensamente idealizado, ou mesmo tempo em que ele é vivido como uma legítima posse da pessoa ciumenta, visto que a triangularidade é somente aparente, e o que predomina é a relação diádica e uma indiscriminação entre o eu e o outro (todos hão de lembrar de um homicídio ocorrido no meio artístico brasileiro, no qual uma conhecida e bala atriz foi cruelmente assassinada por um casal, em que a mulher,impregnada por um ciúme delirante, dias antes do crime, induziu o marido à prática de uma recíproca tatuagem dos nomes de cada um deles nos genitais do outro,como uma forma de posse e de fusão eterna ). No ciúme possessivo neurótico, também há uma excessiva idealização do objeto “amado”, porém já há uma efetiva triangularidade,sendo válido afimar que o ciúme possessivo constitui-se em uma ponte entre a inveja e o ciúme moderado. Neste último caso, há uma aceitação da dependência de um objeto bom e um considerável avanço na renúncia à idealização exagerada e ás ilusões narcísicas.

Assim, pode-se dizer que a capacidade de dar e receber amor está negada na inveja patógena, enquanto está presente no ciúme possessivo. É útil deixar claro que as interconexões entre a inveja excessiva e as diversas formas de ciúme têm uma acentuada mobilidade, as quais podem reverter-se em ou em outro sentimento.

Fonte: David E. Zimerman – Fundamentos Psicanalíticos

About Marilda Limberger

Marilda Limberger, psicanalista, analista didata, coordenadora de grupos. Atende em Taguatinga-DF na QNE-02, lote 1 sala 205 - Bonbini Clínicas.
This entry was posted in Geral, psicanálise and tagged , , . Bookmark the permalink.

Deixe um Comentário