Superstição

Postado por Marilda Limberger - setembro 28th, 2009


Comumente, as pessoas pensam em superstição como alguma coisa que  destoa da visão de mundo predominante em sua sociedade e… naquele momento histórico. Esta concepção é infeliz, porque contribui para o confinamento e a inflexibilidade do pensamento. A crença  de uma época é a superstição de outra; muitas das crenças que vigoram neste século XXI podem algum dia vir a ser consideradas “superstições”. Será mais útil definir superstição como uma crença que não está fundamentada em qualquer visão de mundo coerente. Sem dúvida, essa definição é a mais próxima do significado original da palavra, no século XIII, que indicava uma crença ou prática falsa ou irracional. Os católicos medievais, os antigos egípcios, os dayaks (grupo étnico natural do interior da ilha de Bornéu) do século XX e os bruxos modernos não são necessariamente mais supersticiosos que os leigos ocidentais do século XXI. Se você defende um ponto de vista que examinou cuidadosamente e inseriu uma visão de mundo coerente, então, para você mesmo, essa crença não é em absoluto uma superstição, embora ela pudesse ser se fosse sustentada por alguém que tivesse uma visão de mundo diferente. Mas aqui é necessário ter cuidado, porque, se você defende uma crença sem convicção ou de maneira acrítica e não se preocupa em inseri-la adequadamente dentro de uma visão de mundo coerente, então essa crença se torna uma superstição também para você. O número de superstições científicas, religiosas e políticas modernas não é, em seu conjunto, menor que o do passado. Algumas pessoas são supersticiosas todo o tempo e todas as pessoas se tornam supersticiosas, pelo menos parte do tempo. Sempre que a bruxaria se enquadrar em uma visão coerente do mundo, não será uma superstição.

De: História da Bruxaria – Jeffrey B. Russell & Brooks Alexander, pág. 15.

Memória – Tipos de Memória

Postado por Marilda Limberger - setembro 2nd, 2009

Tipos de memória:

  • Memória declarativa. É a capacidade de verbalizar um fato.

Classifica-se por sua vez em:

  • Memória imediata. É a memória que dura de frações a poucos segundos. Um exemplo é a capacidade de repetir imediatamente um número de telefone que é dito. Estes fatos são após um tempo completamente esquecidos, não deixando “traços”.

  • Memória de curto prazo. É a memória com duração de algumas horas. Neste caso existe a formação de traços de memória. O período para a formação destes traços se chama de Período de consolidação. Um exemplo desta memória é a capacidade de lembrar do que se vestiu no dia anterior, ou com quem se encontrou.

  • Memória de longo prazo. É a memória com duração de meses a anos. Um exemplo é a capacidade de aprendizado de uma nova língua.
  • Memória de procedimentos. É a capacidade de reter e processar informações que não podem ser verbalizadas, como tocar um instrumento ou andar de bicicleta. Ela é mais estável, mais difícil de ser perdida.

Diferentes estruturas cerebrais estão envolvidas na aquisição, armazenamento e evocação das diversas informações adquiridas por aprendizagem.

Memória de curto prazo

Depende do sistema límbico, envolvido nos processos de retenção e consolidação de informações novas. Hoje em dia também se supõe que a consolidação temporária da informação envolve estruturas como o hipocampo, a amígdala, o córtex entorrinal e o giro para-hipocampal, sendo depois transferida para as áreas de associação do neocórtex parietal e temporal. As vias que chegam e que saem do hipocampo também são importantes para o estudo da anatomia da memória. Inputs (que chegam) são constituídos pela via fímbria-fórnix ou pela via perfurante. Importantes projecções de CA1 para os córtices subiculares adjacentes fazem parte dos outputs (que saem) do hipocampo. Existem também duas vias hipocampais responsáveis por interconexões do próprio sistema límbico, como o Circuito de Papez (hipocampo, fórnix, corpos mamilares, giro do cíngulo, giro para-hipocampal e amígdala), e a segunda via projeta-se de áreas corticais de associação, por meio do giro do cíngulo e do córtex entorrinal, para o hipocampo que, por sua vez, projeta-se através do núcleo septal e do núcleo talâmico medial para o córtex pré-frontal, havendo então o armazenamento de informações que reverberam no circuito ainda por algum tempo.

Memória operacional

Compreende um sistema de controle de atenção (executivo central), auxiliado por dois sistemas de suporte (de natureza vísuo-espacial e outro de natureza fonológica) que ajudam no armazenamento temporário e na manipulação das informações. O executivo central tem capacidade limitada e função de seleccionar estratégias e planos, tendo sua actividade relacionada ao funcionamento do lobo frontal, que supervisiona as informações. Também o cerebelo está envolvido no processamento da memória operacional, actuando na catalogação e manutenção das sequências de eventos, o que é necessário em situações que requerem o ordenamento temporal de informações. O sistema de suporte vísuo-espacial tem um componente visual, relacionado à região occipital e um componente espacial, relacionado a regiões do lobo parietal. Já no sistema fonológico, a articulação subvocal auxilia na manutenção da informação; lesões nos giros supramarginal e angular do hemisfério esquerdo geram dificuldades na memória verbal auditiva de curta duração. Esse sistema está relacionado à aquisição de linguagem.

Memória de longo prazo

a. Memória explícita:

Depende de estruturas do lobo temporal medial (incluindo o hipocampo, o córtex entorrinal e o córtex para-hipocampal) e do diencéfalo. Além disso, o septo e os feixes de fibras que chegam do prosencéfalo basal ao hipocampo também parecem tem importantes funções. Embora tanto a memória episódica como a semântica dependam de estruturas do lobo temporal medial, é importante destacar a relação dessas estruturas com outras. Por exemplo, pacientes idosos com disfunção dos lobos frontais têm mais dificuldades para a memória episódica do que para a memória semântica. Já lesões no lobo parietal esquerdo apresentam prejuízos na memória semântica.

b. Memória implícita:

A aprendizagem de habilidades motoras depende de aferências corticais de áreas sensoriais de associação para o corpo estriado ou para os núcleos da base. Os núcleos caudado e putâmen recebem projecções corticais e enviam-nas para o globo pálido e outras estruturas do sistema extra-piramidal, constituindo uma conexão entre estímulo e resposta. O condicionamento das respostas da musculatura esquelética depende do cerebelo, enquanto o condicionamento das respostas emocionais depende da amígdala. Já foram descritas alterações no fluxo sanguíneo, aumentando o do cerebelo e reduzindo o do estriado no início do processo de aquisição de uma habilidade. Já ao longo desse processo, o fluxo do estriado é que foi aumentado. O neo-estriado e o cerebelo estão envolvidos na aquisição e no planeamento das acções, constituindo, então, através de conexões entre o cerebelo e o tálamo e entre o cerebelo e os lobos frontais, elos entre o sistema implícito e o explícito.

Cora Coralina

Postado por Marilda Limberger - setembro 2nd, 2009

Não sei…

Não sei…

se a vida é curta ou longa demais para nós.

Mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que sacia, amor que promove. E isso não é coisa de outromundo: é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais mas que seja intensa, verdadeira e pura… Enquanto durar

coracoralinafoto (Cora Coralina)

Mito Psiquê

Postado por Marilda Limberger - setembro 1st, 2009

Este mito tem sido utilizado como metáfora para jarnada psicológica feminina por diversos analistas Junguianos. O mito fala de um amor confuso que passa por muitas provações mas que no final triunfa.
Vamos ao Mito:
Psiquê palavra grega que significa alma (sendo comum de se encontrar representações de Psiquê com asas de borboleta).
O mito de Psiquê é narrado no livro O Asno de Ouro de Apuleio, que a cita como uma bela mortal por quem Eros, o deus do amor se apaixonou. Tão bela que despertou a fúria de Afrodite, deusa da beleza e do amor, mãe de  Eros- pois os homens deixavam de freqüentar seus templos para adorar uma simples mortal.
A deusa mandou seu filho atingir Psiquê com suas flechas, fazendo-a se apaixonar pelo ser mais monstruoso existente. Mas, ao contrário do esperado, Eros acaba se apaixonando pela moça – acredita-se que tenha sido espetado acidentalmente por uma de suas próprias setas.
Com o próprio deus do Amor apaixonado por ela, suas setas não foram lançadas para ninguém. O tempo passava, Psiquê não gostara de ninguém, e nenhum de seus admiradores tornara-se seu pretendente.
O rei, pai de Psiquê, cujo nome é desconhecido, preocupado com o fato de já ter casado duas de suas filhas, que nem de longe eram belas como Psiquê, quis saber a razão pela qual esta não conseguia encontrar um noivo. Consulta então o Oráculo de Delfos, que prevê, induzido por Eros, ser o destino de sua filha casar com um ente monstruoso.
Após muito pranto, mas sem ousar contrariar a vontade de Apolo, a jovem Psiquê foi levada ao alto de um rochedo e deixada à própria sorte, até adormecer e ser conduzida pelo vento Zéfiro a um palácio magnifico, que daquele dia em diante seria seu.
Lá chegando a linda princesa não encontrou ninguém, mas tudo era suntuoso e, quando sentiu fome, um lauto banquete estava servido. À noite, uma voz suave a chamava e, levada por ela, conheceu as delícias do Amor, nas mãos do próprio deus do amor…
Os dias se passavam, e ela não se entediava, tantos prazeres tinha: acreditava estar casada com um monstro, pois Eros não lhe aparecia e, quando estavam juntos, usava sempre um capuz. Ele não podia revelar sua identidade pois, assim, sua mãe {Vênus, que é o nome de Afrodite na mitologia romana) descobriria que não cumprira suas ordens – e apesar disto, Psiquê amava o esposo, que a fizera prometer-lhe jamais retirar-lhe o capuz.
Passado um tempo, a bela jovem sentiu saudade de suas irmãs e, implorando ao marido que permitisse que elas fossem trazidas a seu encontro. Eros resistiu e, ante sua insistência, advertiu-a para a alma invejosa das mulheres.
As duas irmãs foram, enfim, levadas. A princípio mostraram-se apiedadas do triste destino da sua irmã, mas vendo-a feliz, num palácio muito maior e mais luxuoso que o delas, foram sendo tomadas pela inveja. Constataram, então, que a irmã nunca tinha visto a face do marido, então sugeriram-lhe que, à noite, quando este adormecesse, tomasse de uma lâmpada e uma faca: com uma iluminaria o seu rosto; com a outra, se fosse mesmo um monstro, o mataria, tomando posse de todas as riquezas.
Chegada a noite Psiquê, julgando que os conselhos das irmãs eram ditados por amizade, pôs em execução o plano que elas haviam lhe dito: Após perceber que seu marido entregara-se ao sono, levantou-se tomando uma lâmpada e uma faca, e dirigiu a luz ao rosto de seu esposo, com intenção de matá-lo.
A jovem, espantada e admirada com a beleza de seu marido, desastradamente deixa pingar uma gota de azeite quente sobre o ombro dele. Eros acorda – o lugar onde caiu o óleo fervente de imediato se transforma numa chaga: o Amor está ferido.
Percebendo que fora traído, Eros enlouquece, e foge, gritando repetidamente: O amor não sobrevive sem confiança!
Psiquê fica sozinha, e desesperada com seu erro, no imenso palácio. Precisa reconquistar o Amor perdido.
A Busca pelo Amor
Psiquê vaga pelo mundo, desesperada, até que resolve consultar-se num templo de Afrodite. A deusa, já cientificada de que fora enganada, e mantendo Eros sob seus cuidados, decide impor à pobre alma uma série de tarefas, esperando que delas nunca se desincumbisse, ou que tanto se desgastasse que perdesse a beleza…
As  Quatro Tarefas de Psiquê
As quatro tarefas dadas por Afrodite têm grande valor simbólico. Cada uma das tarefas representa uma capacidade que as mulheres precisam desenvolver. A cada tarefa Psiquê adquire uma habilidade que não tinha antes; com ajuda das forças da natureza Psiqué consegue cumprir todas as tarefas.  Todas nós mulheres em determinado momento de nossas vidas passamos por fazes que devemos desenvolver dentro de nós mesmas estas habilidades que aparentemente parecem ser impossíveis.
Tarefa nº1- OS GRÃOS( separar as sementes): A princesa foi colocada num quarto onde uma montanha de grãos de diversos tipos: milho, cevada, milhete, papoula, ervilha, lentilha e feijão tinham sido misturados. Psiquê devia separá-los, conforme cada espécie, antes do anoitecer. A jovem  fica desesperada mas, surgem milhares de formigas que, grão a grão, os separa do monte e os reúne consoante sua categoria. Da mesma maneira quando devemos tomar uma decisão importante em nossas vidas devemos  classificar nossos sentimentos fazer um apanhado geral do que temos, então aos poucos ir separado o que convém e o que não convém, tarefa dificil  que exige contato direto com nossas forças internas(forças da natureza). Quando uma mulher fica diante de uma situação aparentemente impossível de ser resolvida e não se precipita em resolvê-la  até que  sua visão seja clara, ela esta demonstrando confiança na sua força interna femina (força da Natureza).

Amanhã conto mais…

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