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	<title>Blog do Psique.org</title>
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	<description>Psicanálise - Terapias - Grupos</description>
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		<title>O Caderno  Composição: Toquinho / Mutinho</title>
		<link>http://psique.org/archives/552</link>
		<comments>http://psique.org/archives/552#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 25 Aug 2010 18:50:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marilda Limberger</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://psique.org/?p=552</guid>
		<description><![CDATA[Sou eu quem vou seguir você do primeiro rabisco até o bê-a-bá em todos os desenhos coloridos vou estar a casa, a montanha, duas nuvens no céu e um sol a sorrir no papel Sou eu que vou ser seu colega, seus problemas ajudar a resolver lhe acompanhar nas provas bimestrais, você vai ver Serei [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } --><a name="info_url_artist"></a><span style="color: #ff0000;"><br />
<a rel="attachment wp-att-553" href="http://psique.org/archives/552/caderno"><img class="alignleft size-full wp-image-553" title="caderno" src="/wp-content/uploads/2010/08/caderno.jpe" alt="" width="238" height="212" /></a>Sou eu quem vou seguir você<br />
do primeiro rabisco até o bê-a-bá<br />
em todos os desenhos coloridos vou estar<br />
a casa, a montanha, duas nuvens no céu<br />
e um sol a sorrir no papel<br />
<span id="more-552"></span></span><span style="color: #ff0000;"><br />
Sou eu que vou ser seu colega,<br />
seus problemas ajudar a resolver<br />
lhe acompanhar nas provas bimestrais, você vai ver<br />
Serei de você confidente fiel,<br />
se seu pranto molhar meu papel</span></p>
<p><span style="color: #ff0000;">Sou eu que vou ser seu amigo,<br />
Vou lhe dar abrigo, se você quiser<br />
Quando surgirem seus primeiros raios de mulher<br />
A vida se abrirá num feroz carrossel<br />
E você vai rasgar meu papel</span></p>
<p><span style="color: #ff0000;">O que está escrito em mim comigo<br />
Ficará guardado, se lhe dá prazer<br />
A vida segue sempre em frente, o que se há de fazer<br />
Só peço a você um favor, se puder<br />
Não me esqueça num canto qualquer</span></p>
<p><span style="color: #ff0000;"> _MENSAGEM : Padre Fábio de Melo<br />
Eu não sei se você se recorda do seu primeiro caderno, eu me recordo do meu.<br />
Com ele eu aprendi muita coisa, foi nele que eu descobri que a experiência dos erros<br />
Ela é tão importante quanto às experiências dos acertos<br />
Porque vistos de um jeito certo, os erros,<br />
Eles nos preparam para nossas vitórias e conquistas futuras<br />
Porque não há aprendizado na vida que não passe pelas experiências dos erros</span></p>
<p><span style="color: #ff0000;">O caderno é uma metáfora da vida,<br />
Quando os erros cometidos eram demais, eu me recordo,<br />
Que a nossa professora nos sugeria que a gente virasse a página.<br />
Era um jeito interessante de descobrir a graça que há nos recomeços.</span></p>
<p><span style="color: #ff0000;">Ao virar a página, os erros cometidos deixavam de nos incomodar e a partir deles,<br />
A gente seguia um pouco mais crescido.</span></p>
<p><span style="color: #ff0000;">O caderno nos ensina que erros não precisam ser fontes de castigos.<br />
Erros podem ser fontes de virtudes!<br />
Na vida é a mesma coisa, o erro tem que estar à serviço do aprendizado;<br />
Ele não tem que ser fonte de culpas e vergonhas.<br />
Nenhum ser humano pode ser verdadeiramente grande<br />
sem que seja capaz de reconhecer os erros que cometeu na vida.</span></p>
<p><span style="color: #ff0000;">Uma coisa é a gente se arrepender do que fez! Outra coisa é a gente se sentir culpado.<br />
Culpas nos paralisam. Arrependimentos não!<br />
Eles nos lançam pra frente, nos ajudam a corrigir os erros cometidos.</span></p>
<p><span style="color: #ff0000;">Deus é semelhante ao caderno.<br />
Ele nos permite os erros pra que a gente aprenda a fazer do jeito certo.</span></p>
<p><span style="color: #ff0000;">Você tem errado muito?<br />
Não importa, aceite de Deus essa nova página de vida que tem nome de hoje!<br />
Recorde-se das lições do seu primeiro caderno.<br />
Quando os erros são demais, vire a página!</span></p>
<p><span style="color: #ff0000;"></span></p>
<p><span style="color: #ff0000;"> </span></p>


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		<title>A Doença do Orgulho &#8211; Jean Yves Leloup</title>
		<link>http://psique.org/archives/547</link>
		<comments>http://psique.org/archives/547#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 19 Aug 2010 11:45:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marilda Limberger</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://psique.org/?p=547</guid>
		<description><![CDATA[“ De modo geral, (as pessoas ) esforçam-se para eliminar o orgulho, sabendo que orgulho é o começo da ilusão e a ausência de orgulho o começo da verdade, que estas duas atitudes são como duas fontes: da ilusão brotam as diversas espécies de males e da verdade, a multidão dos bens humanos e divinos” [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“ De modo geral, (as pessoas ) esforçam-se para eliminar o orgulho, sabendo que orgulho é o começo da ilusão e a ausência de orgulho o começo da verdade, que estas duas atitudes são como duas fontes: da ilusão brotam as diversas espécies de males e da verdade, a multidão dos bens humanos e divinos” .</p>
<p>Adquirir um olhar claro e esclarecedor, para a pessoa, é adquirir a humanidade. <a title="Filón de Alexandria" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%ADlon_de_Alexandria">Fílon</a> vê na raiz de todos os males aquilo que se traduz por orgulho, mas que também se poderia traduzir por “desmedida” (hybris) ou por inflação. Todavia, o têrmo orgulho denota o caráter consciente, livre, da aquiescência à desmedida ou inflação.</p>
<p><span id="more-547"></span></p>
<p>Para os antigos, o orgulho é na verdade uma doença, uma loucura, porque é considerar-se o que não se é,  identificar-se com uma inchação, conceder importância ao que secretamente sabemos ser irrisório (pois o ser humano sabe que não é o Ser, e que ele mesmo não é subsistente).</p>
<p>O orgulhoso anda sempre ávido de reconhecimento, vive no temor e na preocupação de perder a importância; o humilde “é o que é”; livre da preocupação de aparecer (e sobretudo da preocupação de parecer humilde), pode admirar-se de ser. Lisonjas e calúnias não provocam nele “ reação” alguma. Isso não quer dizer que sejam indiferentes, mas, como não alimentam pretensão alguma, não há nada a defender.</p>
<p>O humilde é, e basta. Eliminar o orgulho, para a pessoa, é  relativizar o eu, o ego, que não para de ordenar, exigir, pedir, esperar de fora a confirmação do ser que falta dentro dele.</p>
<p>Neste sentido, a solidão é uma prova necessária para pessoa: 	aceitar não existir para ninguém. Nossa existência depende 	unicamente do Ser.</p>
<p>Seria, sem dúvida, interessante analisar como “da ilusão decorrem as diversas espécies de males          da verdade, a multidão dos bens humanos e divinos” . Frisemos simplesmente que, para <a title="Filón de Alexandria" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%ADlon_de_Alexandria">Fílon</a>, e também para padres de igreja posteriormente, a queda do homem é a conseqüência de lançar um olhar egocentrado sobre o mundo. “Eu chamo isto de bem, porque isto me apraz; eu chamo isto de  mal, porque não me apraz” (o livro Gênesis, simbolicamente, chama isto de provar o fruto da árvore do conhecimento egocentrado).</p>
<p>Ser humilde verdadeiro supõe que se lance um olhar 	ontocentrado sobre o mundo: “O que é&#8230; é; o que não é&#8230; não é; 	quer me agrade ou não me agrade” (o livro do Gênesis, 	simbolicamente, chama isto de o da “árvore da vida”, a árvore 	do conhecimento ontocentrado. Veja os seres a partir do Ser que lhe 	dá o ser ou os “existencifica”, sem reação subjetiva, isto é, 	sem manifestação do ego).</p>
<p>O modo de olhar o mundo pode fazer dele um paraíso ou 	inferno. A pessoa orgulhosa aprisiona todas as coisas no seu olhar; 	está ela mesma encerrada nessa autoprojeção que toma pela a 	realidade. A pessoa humilde e verdadeira, porém, restitui todas as 	coisas à sua identidade e a sua liberdade. Está bem posicionada 	para receber qualquer ser como um dom, na claridade do Bem essencial 	que dá a tudo o que é e respira “a graça de ser”&#8230;</p>
<p>O <a title="Logos" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Logos">Logos</a> faz sonhar</p>
<ol style="text-align: left;">“Em cada habitação há um lugar sagrado chamado 	&#8216;santuário&#8217; ou mosteiro: é lá que, isolado, cumprem os mistério 	da vida santa. Nada levam para o santuário, nem bebida nem comida, 	nem nada do que é necessário ao corpo, mas somente as Leis, os 	Oráculo dos profetas, os hinos e os outros livros pelos quais 	aumentam e aperfeiçoam a ciência e a piedade. Deus está sempre 	presente a seu espírito; mesmo em seus sonhos não imaginam outra 	coisa senão a beleza das virtudes e das Potências divinas; também 	muitos deles, quando têm um sonho em seu sono, revelam em alta voz 	as doutrinas admiráveis da filosofia sagrada”.</ol>
<p><a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/19450/cuidar+do+ser:+filon+e+os+terapeutas+de+alexandria?franq=127800">Jean Yves-Leloup &#8211; Cuidar do Ser</a></p>
<p>Para adquirir este livro no submarino, clique na imagem abaixo:</p>
<p><a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/19450/cuidar+do+ser:+filon+e+os+terapeutas+de+alexandria?franq=127800"><img class="alignnone" src="http://i.s8.com.br/images/books/cover/img0/19450.jpg" alt="" width="180" height="180" /></a></p>
<ol style="text-align: left;"></ol>


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		<title>Se liga em você &#8211; tio Gaspa &#8211; Luiz Antonio Gasparetto</title>
		<link>http://psique.org/archives/543</link>
		<comments>http://psique.org/archives/543#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 19 Aug 2010 11:30:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marilda Limberger</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Se ligue “ em você” Existe uma luzinha no seu peito. Uma luz que os olhos não vêm. Mas quando ela está acesa, a gente sente. Pois é ela que causa os nossos sentimentos. Quando você a acende, aparecem sentimentos bons em seu peito. Tudo fica mais bonito e gostoso. Ela faz você se sentir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: medium;"><em>Se ligue “ em você”</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em><br />
</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em>Existe uma luzinha no seu peito.</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em>Uma luz que os olhos não vêm.</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em>Mas quando ela está acesa, a gente sente.</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em>Pois é ela que causa os nossos sentimentos.</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em><span id="more-543"></span><br />
</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em>Quando você a acende, aparecem sentimentos bons em seu peito. Tudo fica mais bonito e gostoso. Ela faz você se sentir alegre.</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em>Quando você a apaga, aparecem sentimentos maus. Tudo fica mais feio e dolorido. Sem ela, você sente triste.</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em>Quando está acesa e brilhante, ela sai pela boca,  fazendo – nos sorrir. Ela também sai pelo os olhos, fazendo – os brilhar.</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em>Ela sai pela peito, fazendo – nos amar, e pelo os braços, fazendo – nos abraçar.</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em>Sai, finalmente, pelo corpo inteiro, fazendo – nos dançar </em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em>Nós só somos felizes quando ela está acesa.</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em>Ela se acende quando você pensa positivo.</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em>E você pensa positivo quando ela se acende.</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em>Ela brilha quando você faz carinho nas plantas, nos animais e nas pessoas. Também quando sua mãe lhe dá um presente ou quando você come um doce gostoso.</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em>Ela brilha mais ainda quando você dá um pedaço do seu doce para seu amigo.</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em>Mas, muitas vezes, nós deixamos a nossa luzinha se apagar.</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em>Quando ela se apaga, você sente medo.</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em>O medo aparece quando você pensa que uma coisa ruim pode acontecer com você ou com alguém de quem você gosta.</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em>Quando você tem coragem, a luzinha volta a se acender.</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em>Coragem é o nome do sentimento que acontece quando você acredita que só coisas boas podem ocorrer com você e com os outros.</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em>Muitas vezes, a gente não gosta de  ir ao quarto sozinho, porque lá está escuro. Nós temos medo do escuro.</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em>A gente fica imaginando que tem coisas feias lá. Assim, ficamos tristes, pois apagamos a nossa luzinha do peito.</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em>Mas é só imaginação.</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em>Na nossa cabeça, podemos inventar de tudo. Se você imagina que está vendo um cachorro, você pode desenha o cachorro na sua cabeça.</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em>Mas o cachorro não está lá de verdade, é só imaginação.</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em>Medo é só imaginação.</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em>Da próxima vez que você sentir medo, não deixe sua luzinha se apagar.  Pence que nos escuro tem muitas luzinhas invisíveis e alegres que estão lá para proteger você. Entra no escuro com coragem e você se sentirá feliz.</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em>Quando você sentir medo de qualquer coisa, pense assim: “todo esse medo é só imaginação”, “eu sou corajoso”, e a sua luzinha se acenderá cheia de brilho.</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em>Para adquirir o livro no submarino, clique na imagem abaixo:</em></span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><em><a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/58696/se+ligue+em+voce?franq=127800"><img class="alignnone" src="http://i.s8.com.br/images/books/cover/img6/58696.jpg" alt="" width="180" height="180" /></a><br />
</em></span></p>


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		<title>Clarice Lispector &#8211; Frases:</title>
		<link>http://psique.org/archives/524</link>
		<comments>http://psique.org/archives/524#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 12 Aug 2010 03:00:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marilda Limberger</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[citações]]></category>

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		<description><![CDATA[“Por mais intransmissível que fossem os humanos, eles sempre tentavam se comunicar através de gestos, de gaguejos, de palavras mal ditas e malditas.” “Eu ainda não sei controlar meu ódio mas já sei que meu ódio é um amor irrealizado, meu ódio é uma vida ainda nunca vivida. Pois vivi tudo – menos a vida. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } --><a rel="attachment wp-att-525" href="http://psique.org/archives/524/clarice_lispector2"><img class="alignleft size-medium wp-image-525" title="clarice_lispector2" src="/wp-content/uploads/2010/08/clarice_lispector2-300x294.jpg" alt="" width="300" height="294" /></a>“Por mais intransmissível que fossem os humanos, eles sempre tentavam se comunicar através de gestos, de gaguejos, de palavras mal ditas e malditas.”</p>
<p>“Eu ainda não sei controlar meu ódio mas já sei que meu ódio é um amor irrealizado, meu ódio é uma vida ainda nunca vivida. Pois vivi tudo – menos a vida. E é isso o que não perdôo em mim, e como não suporto não me perdoar, então não perdôo aos outros. A este ponto cheguei: como não consegui a vida, quero matá-la. A minha cólera – que é ela senão reivindicação? – a minha cólera, eu sei, eu tenho que saber neste minuto raro de escolha, a minha cólera é o reverso de meu amor; se eu quiser escolher finalmente me entregar sem orgulho à doçura do mundo, então chamarei minha ira de amor.”<span id="more-524"></span></p>
<p>“E era bom.’ Não entender’ era tão vasto que ultrapassava qualquer entender – entender era sempre limitado. Mas não entender não tinha fronteiras e levara ao infinito, ao Deus. Não era um não-entender como um simples de espírito. O bom era ter uma inteligência e não entender. Era uma benção estranha como a de ter loucura sem ser doida. Era um desinteresse manso em relação às coisas ditas do intelecto, uma doçura de estupidez.”</p>
<p>“Haveria um grande silêncio em mim, mesmo que eu falasse”</p>
<p>“O coração tem que se apresentar diante do Nada sozinho e sozinho bater em silêncio de uma taquicardia nas trevas. Só se sente nos ouvidos o próprio coração. Quando este se apresenta todo nú, nem é comunicação, é submissão. Pois nós não fomos feitos senão para o pequeno silêncio, não para o silêncio astral.”</p>
<p>“…é só quando esquecemos todos os nossos conhecimentos é que começamos a saber.”</p>
<p>” A mais premente necessidade de um ser humano era tornar-se um ser humano.”</p>
<p>Para saber mais:</p>
<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } -->Nascida Haia Lispector (Chechelnyk, 10 de dezembro de 1920 — Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1977) foi uma escritora brasileira, nascida na Ucrânia.<br />
De origem judaica, terceira filha de Pinkouss e de Mania Lispector.<br />
A família de Clarice sofreu a perseguição aos judeus, durante a Guerra Civil Russa de 1918-1921.<br />
Seu nascimento ocorreu em Chechelnyk, enquanto percorriam várias aldeias da Ucrânia, antes da viagem de emigração ao continente americano.<br />
Aportaram no Brasil quando tinha pouco mais de um ano de idade.<br />
A família chegou a Maceió em março de 1922, sendo recebida por Zaina, irmã de Mania, e seu marido e primo José Rabin. Por iniciativa de seu pai, à exceção de Tania – irmã, todos mudaram de nome: o pai passou a se chamar Pedro; Mania, Marieta; Leia – irmã, Elisa; e Haia, Clarice.<br />
Pedro passou a trabalhar com Rabin, já um próspero comerciante.<br />
Clarice Lispector começou a escrever logo que aprendeu a ler, na cidade do Recife, onde passou parte da infância.<br />
Falava vários idiomas, entre eles o francês e inglês.<br />
Cresceu ouvindo no âmbito domiciliar o idioma materno, o iídiche.<br />
Foi hospitalizada pouco tempo depois da publicação do romance A Hora da Estrela com câncer inoperável no ovário, diagnóstico desconhecido por ela.<br />
Faleceu no dia 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu 57° aniversário. Foi inumada no Cemitério Israelita do Cajú, no Rio de Janeiro, em 11 de dezembro.</p>
<p><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"><strong><span style="text-decoration: underline;"><a rel="attachment wp-att-530" href="http://psique.org/archives/524/clarice-lispector-by-loredano"><img class="alignleft size-medium wp-image-530" title="clarice lispector by loredano" src="/wp-content/uploads/2010/08/clarice-lispector-by-loredano-270x300.jpg" alt="" width="270" height="300" /></a>Obras da autora</span></strong>:</span></p>
<p><strong><em>Romances:</em></strong></p>
<p>Perto do Coração Selvagem (1943);</p>
<p>O Lustre (1946)</p>
<p>A Cidade Sitiada (1949)</p>
<p>A Maçã no Escuro (1961)</p>
<p>A Paixão segundo G.H. (1964)</p>
<p>Uma Aprendizagem ou Livro dos Prazeres (1969)</p>
<p>Água Viva (1973)</p>
<p>Um Sopro de Vida &#8211; Pulsações (1978)</p>
<p><em><strong>Novela:</strong></em></p>
<p><em></em>A hora da estrela (1977)<br />
<em><br />
<strong>Contos:</strong></em></p>
<p><em></em>Alguns contos (1952)</p>
<p>Laços de família (1960)</p>
<p>A legião estrangeira (1964)</p>
<p>Felicidade clandestina (1971)</p>
<p>A imitação da rosa (1973)</p>
<p>A via crucis do corpo (1974)</p>
<p>Onde estivestes de noite? (1974)</p>
<p>A bela e a fera (1979)</p>
<p><strong>Correspondência:</strong></p>
<p>Cartas perto do coração (2001) &#8211; <span style="font-family: Verdana; font-size: xx-small;"><em>Organização             de Fernando Sabino<br />
</em></span><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"><br />
Correspondência &#8211; Clarice Lispector (2002) &#8211; </span><em><span style="font-family: Verdana; font-size: xx-small;">Organização             de Teresa Cristina M. Ferreira</span></em></p>
<p><em><strong>Crônicas:</strong></em></p>
<p><em></em><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">Visão do esplendor &#8211; Impressões leves  (1975)<em></em></span></p>
<p><em></em>Para não esquecer (1978)<em> &#8211; </em><em><span style="font-family: Verdana; font-size: xx-small;">contos             inicialmente publicados em Laços de família.</span></em></p>
<p><em></em><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">A descoberta do mundo (1984)</span><em></em></p>
<p><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"><em><strong>Entrevistas:</strong></em></span></p>
<p><em></em><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">De corpo inteiro (1975)<em></em></span></p>
<p><em><strong>Literatura  infantil:</strong></em></p>
<p><em></em>O mistério do coelho pensante (1967) &#8211; <span style="font-family: Verdana; font-size: xx-small;"><em>Escrito             em inglês e traduzido por Clarice</em><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"><br />
<span style="text-decoration: underline;"><br />
</span>A mulher que matou os peixes (1968)</span></span></p>
<p>A vida íntima de Laura (1974)</p>
<p>Quase de verdade (1978)</p>
<p>Como nasceram as estrelas (1987)<em></em></p>
<p><em><strong>Antologias:</strong></em></p>
<p><em></em>Seleta de Clarice Lispector (1975) &#8211; <em><span style="font-family: Verdana;">Organização de             Renato Cordeiro Gomes</span></em></p>
<p>Clarice Lispector (1981) &#8211; <span style="font-family: Verdana;"><em>Organização de Benjamin Abdala             Jr. e Samira Y. Campedelli</em></span></p>
<p>O primeiro beijo &amp; outros contos, de Clarice Lispector (1991)</p>
<p>Os melhores contos de Clarice Lispector (2001) &#8211; <span style="font-family: Verdana;"><em>Organização             de Walnice N. Galvão</em></span></p>
<p>Aprendendo a viver (2004)<em></em></p>
<p><em><strong>Livros publicados no exterior</strong></em></p>
<p><em><strong>Clarice Lispector </strong>tem seus livros publicados em diversos países do mundo:             Alemanha, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos da América, França, Israel, Holanda,             Inglaterra, Itália, Noruega, Polônia, Rússia, Suécia, República Tcheca e Turquia.             Citamos alguns, a título de exemplo:</em></p>
<p><em></em>Die Passion nach G.H. (A paixão segundo G. H.) (1995), tradução de Pieer Sibast</p>
<p>La manzana en la obscuridad (A maçã no escuro) (1974), tradução de Juan García Gayo<br />
<span style="text-decoration: underline;"><em><br />
</em></span>L&#8217;heure de l&#8217;étoile (A hora da estrela) (1989), tradução de Marguerite             Wünscher<br />
<span style="text-decoration: underline;"><em><br />
</em></span>Osher samuy (Felicidade clandestina) (2001), tradução de Mirian Tivon<br />
<span style="text-decoration: underline;"><em><br />
</em></span>The Foreign Legion (A legião estrangeira) (1986), tradução de Giovanni Pontiero<span style="text-decoration: underline;"><em></em></span></p>
<p><em></em>The Stream of Life (Água viva) (1989), tradução de Elizabeth Lowe e outros<br />
<span style="text-decoration: underline;"><em><br />
</em></span>Dove siete stati di notte (Onde estivestes de noite) (1994), tradução de Adelina             Aletti<span style="text-decoration: underline;"><em></em></span></p>
<p><em></em>Zivá voda (Água viva) (2000), tradução de Pavla Lidmilová<em><span style="text-decoration: underline;"><br />
</span></em></p>


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		<title>Uma passagem de Demian( Hermann Hesse):</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Aug 2010 03:00:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marilda Limberger</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Frases]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[inconsciente coletivo]]></category>

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		<description><![CDATA[Assim disse Pistórius a Sinclair: “- Sempre achamos que são demasiadamente estreitos os limites de nossa personalidade! Atribuímos à nossa pessoa somente aquilo que distinguimos como individual e divergente. Mas cada um de nós é um ser total do mundo, e da mesma forma como o corpo integra toda a trajetória da evolução, remontando ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-521" href="http://psique.org/archives/520/demian"><img class="alignleft size-medium wp-image-521" title="demian" src="/wp-content/uploads/2010/08/demian-216x300.jpg" alt="" width="216" height="300" /></a>Assim disse Pistórius a Sinclair:</p>
<p>“- Sempre achamos que são demasiadamente  estreitos os limites de nossa personalidade! Atribuímos à nossa pessoa  somente aquilo que distinguimos como individual e divergente. Mas cada  um de nós é um ser total do mundo, e da mesma forma como o corpo integra  toda a trajetória da evolução, remontando ao peixe e mesmo a antes,  levamos em nossa alma tudo o quanto desde o princípio está vivendo na  alma dos homens. Todos os deuses e todos os demônios que já existiram,  quer entre os gregos, os chineses ou os cafres, todos estão conosco,  todos estão presentes, como possibilidades, desejos ou caminhos. Se toda  a humanida perecesse com exceção de uma só criança medianamente dotada,  esse menino sobrevivente tornaria a encontrar o curso das coisas e  poderia criar tudo de novo: deuses, demônios e paraísos, mandamentos e  proibições, antigos e novos Testamentos.</p>
<p>- Pois bem – objetou-lhe Sinclair. -Mas  que fim leva o valor do indivíduo? Para que aspiramos a algo se já temos  tudo concluído em nós mesmos?</p>
<p>- Alto lá – exclamou Pistórius com  força- Há muita diferença entre levarmos simplesmente o mundo em nós  mesmos e conhecê-lo. Um louco pode expor idéias que lembram as de Platão  e um colegial devoto pode criar em sua imaginação profundas conexões  mitológicas que aparecem nas doutrinas dos gnóstico ou de Zoroastro. Mas  sem sabê-lo! E enquanto não sabe, é uma árvore ou uma pedra, ou quando  um animalzinho. Não creio que se possam considerar homens todos esses  bípedes que caminham pelas ruas, simplesmente porque andam eretos ou  levem nove meses para vir à luz. Sabes muito bem que muitos deles não  passam de peixes ou de ovelhas, vermes ou sanguessugas, formigas ou  vespas. Todos eles revelam possibilidades de chegar a ser homens, mas só  quando vislumbram e aprendem a levá-las em parte à sua consciência é  que se pode dizer que possuem uma…”</p>


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		<title>Sidarta  Hermann Hesse</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Aug 2010 17:34:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marilda Limberger</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[meditação]]></category>

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		<description><![CDATA[O livro narra a busca de Sidarta pela iluminação na Índia. Educado, bonito, filho de um homem rico, ele procura a luz com os Samanas, que vivem para pensar, esperar e jejuar. Descobre Buda, mas não aceita sua doutrina. É iniciado nos jogos do amor por uma cortesã, mas só encontra a decadência e decide [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } --><a rel="attachment wp-att-513" href="http://psique.org/archives/511/buda-2"><img class="alignleft size-medium wp-image-513" title="BUDA" src="/wp-content/uploads/2010/08/BUDA1-238x300.jpg" alt="" width="238" height="300" /></a>O livro narra a busca de Sidarta pela iluminação na Índia. Educado, bonito, filho de um homem rico, ele procura a luz com os Samanas, que vivem para pensar, esperar e jejuar. Descobre Buda, mas não aceita sua doutrina. É iniciado nos jogos do amor por uma cortesã, mas só encontra a decadência e decide abandonar tudo. Torna-se então balseiro num rio junto ao sábio Vasudeva e só então conhece a redenção.<span id="more-511"></span></p>
<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } 		H3 { margin-bottom: 0.21cm } --></p>
<h3>Capítulo 1- O Filho do brâmane</h3>
<p>Sidarta é um jovem promissor que vive num povoado brâmane. Talentoso, esbelto, ávido pelo saber,  era adorado por todos. Estava avançado nos ensinamentos brâmanes e todos viam nele um futuro brilhante. Pressentia-se nele um sábio, um sacerdote, um príncipe entre os brâmanes. E quem mais o adorava era seu amigo Govinda. Mas para si mesmo, Sidarta não tinha alegria. Para si mesmo não era fonte de prazer. Abrigava em suas entranhas o descontentamento. Sentia que o amor que recebia de todos nem sempre teria força para alegrá-lo. Também sentia que já tinha absorvido os principais ensinamentos brâmanes, mas não eram suficientes. Questionava a validade dos rituais: “As abluções, por proveitosas que fossem, eram apenas água; não tiravam dele o pecado; não curavam a sede do espírito; não aliviavam a angústia do coração. Excelentes eram os sacrifícios e as invocações dos deuses- mas que lhe adiantava tudo isso? Propiciavam os sacrifícios a felicidade? E quanto aos deuses: foi realmente Prajapati quem criou o mundo? E não o Átman? Ele, o único, o indivisível?”&#8230;”Quem merecia imolações e reverência, senão Ele, o único, o Átman? E onde se podia encontrar o Átman, onde morava ele&#8230; a não ser no próprio eu, naquele âmago indestrutível que cada um trazia em si?” Insatisfeito com isso, resolveu unir-se a um grupo de samanas (sábios mendigos nômades) que passavam pela cidade, para encontrar sua felicidade e o seu caminho. Depois de receber a permissão de seu pai (que tristemente a concedeu), partiu para os samanas junto com Govinda.</p>
<h3><a name="Cap.C3.ADtulo_2-_Com_os_samanas"></a>Capítulo 2- Com os samanas</h3>
<p>Com os samanas, Sidarta aprendeu a jejuar. “A carne sumia-lhe das pernas e da face”. Passando pelas cidades, olhava a vida nela com desprezo. “&#8230; nada disso era digno de ser olhado. Tudo era mentira, tudo fedor; tudo recendia a falsidade, tudo criava a ilusão de significado, felicidade, beleza e, todavia, não passava de putrefação oculta. Amargo era o sabor do mundo. A vida era um tormento”. O objetivo de Sidarta era tornar-se vazio, vazio de sede, vazio de desejos, vazio de alegria e de pesar. “Exterminar-se, distanciando-se de si mesmo; cessar de ser um eu”.</p>
<p>Esse era o objetivo e a filosofia de vida dos samanas. Assim, meditavam, jejuavam, transferiam sua alma para garças e viviam a vida das garças, transferiam sua alma para chacais mortos e vivenciavam a autodecomposição. Encarnavam pedras, troncos, folhas e árvores.</p>
<p>Os dois passam três anos na companhia dos Samanas. Sidarta notou que o modo de vida samana é uma forma de fugir da vida e do eu, e resolve parar de segui-los, fator catalisado pelo surgimento de Buda, que estava arrebanhando vários discípulos e que havia alcançado a Iluminação. Há um diálogo interessante entre Sidarta e Govinda em que Sidarta diz: “O que é a meditação? O que é o abandono do corpo? Que significa jejum? E a suspensão do fôlego? São modos de fugirmos de nós mesmos. São momentos durante os quais o homem escapa à tortura de seu eu. Fazem-nos esquecer, passageiramente, o sofrimento e a insensatez da vida”. Sidarta também nota que nenhuma doutrina é capaz de fazer a pessoa atingir a iluminação, apenas a vivência tem essa capacidade. E os dois vão ao encontro de Buda.</p>
<h3><a name="Cap.C3.ADtulo_3-_Gotama"></a> Capítulo 3- Gotama</h3>
<p>Nesse capítulo os dois amigos encontram Buda e ouvem sua doutrina. Govinda resolve unir-se aos discípulos de Buda, enquanto, Sidarta confirma sua teoria de que nenhuma doutrina, somente a vivência, pode levar e iluminação.</p>
<p>Ouvindo Buda, Sidarta não manifestou muito interesse em sua doutrina, mas observou atentamente sua silhueta, seus gestos, sua voz, os ombros, os pés. “Parecia-lhe que as falanges de cada dedo eram doutrina, falavam, respiravam, exalavam aroma, derramavam o brilho da verdade”.</p>
<p>Em um diálogo entre Buda e Sidarta, Sidarta manifestou seu apreço pela doutrina, e disse que não seria seu discípulo, pois a iluminação não pode ser ensinada por doutrinas, só por vivência, e que Buda não contara como foi sua experiência na hora da iluminação, porque isso era impossível de ser descrito. Portanto, seguiria o seu próprio caminho sem nenhuma doutrina e nenhum mestre, até alcançar seu destino ou morrer. Buda disse que o desígnio de sua doutrina é a redenção do sofrimento, nada mais. Nesse diálogo, há um trecho muito interessante em que Sidarta diz: “&#8230; Nós, os samanas, procuramos a redenção do eu, ó Augusto. Ora, seu eu fosse um dos teus discípulos, ó Venerável, poderia acontecer-me&#8230; Assim receio&#8230; que meu eu só aparentemente, falaz mente, obtivesse sossego e redenção, mas na realidade continuasse a viver e a crescer, uma vez que eu teria então a tua doutrina, teria o fato de ser teu adepto, teria meu amor a ti, teria a comunidade dos monges e faria de tudo isso meu eu”. Govinda viu nas palavras de Buda um ideal de vida. Já Sidarta viu em Buda um modelo, um exemplo a ser seguido.</p>
<h3><a name="Cap.C3.ADtulo_4-_Despertar"></a>Capítulo 4- Despertar</h3>
<p>Despertar é um capítulo curto e denso, no qual Sidarta reavalia toda sua vida passada e a abandona, sentindo-se incomparavelmente só, pois não pertenceria a mais nenhum grupo, seria apenas Sidarta. Antes fora brâmane, samana&#8230; agora, apenas ele mesmo “&#8230; lhe parecia que o verdadeiro pensar consistia no reconhecimento das causas e que, desse modo, o sentir se convertia em saber, o qual, em vez de dissipar-se, criaria forma concreta e irradiaria seu teor”.</p>
<p>“Mas que desejaste aprender dos teus mestres e extrair dos seus preceitos? Que será aquilo que eles, que tanto te ensinaram, não conseguiram propiciar-te?”&#8230; “Era meu desejo conhecer o sentido e a essência do eu, para desprender-me dele e superá-lo. Apenas logrei iludi-lo. Consegui, sim, fugir dele e furtar-me às suas vistas. Realmente, nada neste mundo preocupou-me tanto quanto esse eu, esse mistério de estar vivo, de ser um indivíduo, de achar-me separado e isolado de todos os demais, de ser Sidarta! E de coisa alguma sei menos do que sei quanto a mim, Siddharta!”</p>
<p>“O fato de eu não saber nada a meu próprio respeito, o fato de Sidarta ter permanecido para mim um ser estranho, desconhecido, tem sua explicação numa única causa: tive medo de mim; fugi de mim mesmo! Procurei o Átman, procurei o Brama, sempre disposto a fraturar e a pelar o meu eu, a fim de encontrar no seu âmago ignoto o núcleo de todas as cascas. Mas, enquanto fazia isso, perdi-me a mim mesmo”.</p>
<p>“Olhou para o mundo a seu redor, como se o enxergasse pela primeira vez. Belo era o mundo! Era variado, era surpreendente e enigmático! Lá, o azul; acolá, o amarelo! O céu a flutuar e o rio a correr, o mato a eriçar-se e a serra também! Tudo lindo, tudo misterioso e mágico! E no centro disso tudo se achava Siddharta, a caminho de si próprio&#8230;” “Não havia mais aquela multiplicidade absurda, casual, do mundo dos fenômenos, desprezada pelos profundos pensadores brânames, que rejeitam a multiplicidade e esforçam-se por achar a unidade&#8230;” “&#8230; O sentido e a essência das coisas não se achavam em algum lugar atrás das coisas, senão no seu interior”.</p>
<p>“&#8230; “andei deveras surdo e insensível”&#8230;”Quem puser a decifrar um manuscrito, cujo significado lhe interessar, tampouco menosprezará os sinais e as letras, qualificando-os de ilusão&#8230; senão os lerá, estuda-los-á, ama-los-á, letra por letra. Eu, porém, que almejava ler o livro do mundo e o livro da minha própria existência, despreze os sinais e as letras, em prol de um significado que lhes atribuía de antemão. Chamei de ilusão o mundo dos fenômenos. Considerei meus olhos e minha língua apenas aparentes, casuais, desprovidas de valor. Ora, isso passou. Despertei. Despertei de fato. Nasci somente hoje.” ”</p>
<h3><a name="Cap.C3.ADtulo_5-_Kamala"></a> Capítulo 5- Kamala</h3>
<p>Nesse capítulo, Sidarta observa mais atentamente o mundo ao seu redor. Observava-o ingenuamente, sem procurar nele o essencial. Refletia enquanto isso, pensando que não era importante somente pensar&#8230; e sim também sentir. Pensou que, doravante, que obedeceria unicamente sua voz íntima. Atraído pela beleza da cortesã Kamala, entra numa cidade e pede que ela lhe ensine a arte dos prazeres. Como era preciso ter riquezas para poder usufruir dos “lábios de figo recém-cortado” de Kamala, Sidarta, que sabia ler e escrever, tenta arranjar um emprego com o comerciante mais rico da cidade.</p>
<h3><a name="Cap.C3.ADtulo_6-_Entre_os_homens_tolos"></a> Capítulo 6- Entre os homens tolos</h3>
<p>Siddharta emprega-se com o comerciante, consegue dinheiro e tem aulas de beijos e outras coisas com Kamala. Come somente o necessário, não toma vinho. Vê a vida dos “homens tolos” como engraçada, zomba da vida deles. Acha engraçado quando o comerciante fica irritado quando perde dinheiro. Fazia amizades e viajava. Torna-se sócio do comerciante. Contudo, às vezes sente que tudo que fazia não passava de uma brincadeira, que a verdadeira vida estava longe disso.</p>
<h3><a name="Cap.C3.ADtulo_7-_Sansara"></a>Capítulo 7- Sansara</h3>
<p>Siddharta enriquecera. Lentamente, começou a adquirir asco e rancor pela vida. Comia mais que o necessário, tomava vinho. Adquiriu o hábito de jogar jogos valendo dinheiro. Como gostava de apostar quantias bastante altas, para provar que nada daquilo lhe importava, tornou-se mais severo com seus devedores para poder apostar mais vezes. Irritava-se quando perdia dinheiro. Notou que faltava alguma coisa a ele em relação aos demais, nunca poderia apegar-se às pessoas e as coisas como os demais, era incapaz de amar.</p>
<p>Recém estava na casa dos quarenta, mas já notava alguns fios de cabelo branco. Também não ouvia mais sua voz interior.</p>
<p>Uma noite bebera bastante. Tentava dormir, mas não conseguia. “Por longas horas procurava em vão conciliar o sono, com o coração a transbordar de mágoas que lhe pareciam insuportáveis, de náuseas que o transiam como o gosto fastidioso, repugnante, do vinho&#8230;” “&#8230;mas, muito mais do que todo o resto, causavam-lhe asco a sua própria pessoa, os cabelos perfumados, o bafo de vinho que sua boca exalava, a flacidez e o mal-estar de sua pele.”</p>
<p>“Siddharta, nessa noite de insônia, desejava lançar para fora de si, num imenso jato de enjoo, aqueles prazeres, aqueles hábitos, aquela vida absurda e livrar-se de si mesmo&#8230;” “&#8230;foi nesse instante que teve um sonho. Numa gaiola de ouro, Kamala guardava um passarinho canoro, muito raro. O pássaro, que normalmente cantava nas primeiras horas do dia, parecia mudo. Como esse fato lhe chamasse atenção, ele aproximou-se da gaiola e viu que o passarinho jazia no chão, morto, enrijecido. Retirou-o e atirou-o na calçada da rua. Mas logo assustou-se terrivelmente. O coração doía-lhe como se ele houvesse jogado fora não só o cadáver da ave, como também tudo quanto fosse bom e tivesse valor.” Despertou bruscamente, sentindo profunda tristeza. “Atormentava-o a impressão de ter levado uma existência vil, miserável, insensata”. Sentou-se embaixo de sua mangueira no seu jardim e começou a pensar e a reavaliar sua existência. Passou todo dia refletindo, até que pensou: “ “&#8230;Aqui estou, ao pé da minha mangueira, no meu jardim”&#8230; E esboçou um leve sorriso, ao ponderar se tudo isso era necessário , importante e certo, e não apenas um brinquedo tolo, possuir uma mangueira e um jardim?” Resolutamente, resolveu dar fim a esse estado das coisas, saindo da cidade e nunca mais voltando.</p>
<h3><a name="Cap.C3.ADtulo_8-_A_Beira_do_Rio"></a>Capítulo 8- A Beira do Rio</h3>
<p>Nesse capítulo Siddharta vagueia pela floresta, triste e desiludido consigo mesmo. Sentia nojo de si próprio. Subiu no tronco de uma árvore e planejou suicidar-se, se jogando num rio. Porém, quando viu o rio, proferiu a palavra Om, e dormiu. Depois de um longo sono, acordou proferindo Om novamente. Era como tivesse rejuvenescido, renascido. Era como se sua vida passada fosse uma outra reencarnação. Encontrou Govinda vigiando o seu sono, observando-o, notou que o amava, e que “&#8230; a grave doença de que sofrerá até poucas horas antes manifestara-se precisamente na incapacidade de amar nada e ninguém.”</p>
<p>“ Que bom- assim pensou- provar tudo quanto se necessita conhecer! Em criança, já aprendi que a riqueza e os prazeres mundanos não nos trazem nenhum proveito. Há muito tempo sabia disso, mas somente agora cheguei a assimilar essa sabedoria. Hoje me compenetrei dela. Possuo-a não só na memória, senão nos olhos, no coração, no estômago. É uma benção ter essa certeza” “Ouviste o canto do pássaro no fundo do teu coração e obedeceste a ele!” “Sempre se pavoneara com altivez; sempre quisera ser o mais inteligente, o mais zeloso&#8230; nesse sacerdócio, nessa altivez, nessa erudição infiltrava-se o seu eu; ali se arraigara, crescera, enquanto ele, Siddharta, cria tê-lo aniquilado por meio de jejuns e mortificações”</p>
<h3><a name="Cap_9_.E2.80.93_O_Barqueiro"></a> Cap 9 – O Barqueiro</h3>
<p>Neste capítulo, Sidarta reencontra o barqueiro que tinha feito a travessia do rio com ele no começo de sua jornada, após Sidarta ter se desgarrado de Govinda e da doutrina de Gotama. Sidarta passa a morar junto de Vasudeva e torna-se discípulo do rio, tal qual o barqueiro viúvo. Passados alguns anos, Kamala ressurge devido à peregrinação que faz em memória do Buda, quando é picada por uma serpente e vem a falecer, mas não antes de apresentar o filho de Sidarta ao pai.</p>
<h3><a name="Cap_10_.E2.80.93_O_Filho"></a>Cap 10 – O Filho</h3>
<p>Sidarta passa a viver com seu filho na casa de Vasudeva. Sidarta tenta se aproximar de seu filho, mas não obtém sucesso. Sidarta (filho) foge para a cidade e Sidarta (pai) vai em sua procura, mesmo Vasudeva o aconselhando a não fazer isso. Após muito meditar, Sidarta aceita o conselho de Vasudeva e desiste da busca por seu filho.</p>
<h3><a name="Cap_11_.E2.80.93_Om"></a>Cap 11 – Om</h3>
<p>Sidarta continua a pensar no seu filho, principalmente quando faz a travessia de balsa, já que Vasudeva já não tem idade e nem força para fazê-lo, de pais com seus filhos. Sidarta acaba se conformando e, ao perceber que Sidarta havia assimilado o conhecimento que o rio queria passar, parte em uma jornada pela selva.</p>
<h3><a name="Cap_12_.E2.80.93_Govinda"></a> Cap 12 – Govinda</h3>
<p>No capítulo final Govinda recebe uma noticia sobre um balseiro que é considerado sábio e vai conhecê-lo pessoalmente. Após algum tempo de conversa com balseiro Govinda percebe que é seu velho amigo Sidarta e que ele havia encontrado o que ele tanto procurava, pois mostrava em seu rosto serenidade e paz.</p>
<p>Para saber mais:</p>
<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } 		H3 { margin-bottom: 0.21cm } --><a rel="attachment wp-att-514" href="http://psique.org/archives/511/hermann_hesse"><img class="alignleft size-medium wp-image-514" title="hermann_hesse" src="/wp-content/uploads/2010/08/hermann_hesse-300x218.jpg" alt="" width="300" height="218" /></a>Hermann Hesse nasceu em 1877, em Calw (Alemanha), filho de missionários protestantes. Entra cedo em choque com os pais, que queriam o filho pastor; não se submete à disciplina da escola e foge para a Suíça.</p>
<p>Hesse trabalha, então, como livreiro. Dedica-se à poesia e publica &#8220;Poemas&#8221; (1902). Dois anos depois, o romance &#8220;Peter Camenzind&#8221; &#8211; história de um jovem que se rebela contra sua aldeia natal e foge &#8211; tem grande aceitação de crítica e público.</p>
<p>O jovem escritor casa-se, mas continua revoltado contra o meio burguês e as convenções sociais &#8211; como se lê em &#8220;Gertrud&#8221; (1910). Muda-se para a Índia e conhece o budismo, que adotaria pelo resto da vida.</p>
<p>Após o início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, engaja-se em atividades contra o militarismo alemão. Em 1919, publica &#8220;Demian&#8221;, influenciado pelas idéias do psicanalista Carl G. Jung.</p>
<p>&#8220;Sidarta&#8221; é de 1922. Sem encontrar a solução para seus problemas na Índia, conta a história de sua vida em &#8220;O Lobo da Estepe&#8221; (1927). Em 1943, publica &#8220;O Jogo das Contas de Vidro&#8221;, romance utópico, situado no ano de 2200.</p>
<p>Entre seus outros livros, vale citar, em especial, os romances &#8220;Rosshalde&#8221; (1913), &#8220;Knulp&#8221; (1915) e &#8220;Narciso e Goldmund&#8221;(1930). Prêmio Nobel de literatura em 1946, Hermann Hesse morreu em 1962, na cidade de Montagnola (Suíça).</p>
<h3>Fonte: Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.</h3>
<p>Folha de São Paulo: Resumo de Livros</p>
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<p><a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/59916/sidarta?franq=127800"><img class="alignnone" title="Aquira aqui o livro Sidarta" src="http://i.s8.com.br/images/books/cover/img6/59916.jpg" alt="Adquirir o livro Sidarta" width="180" height="180" /></a></p>
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		<title>Crianças que leem nas férias têm melhor desempenho escolar</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Aug 2010 12:20:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marilda Limberger</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Embora os adultos geralmente agarrem a chance de atualizar sua leitura durante as férias, muitas crianças e adolescentes, especialmente em famílias de baixa renda, leem poucos livros durante as férias de verão &#8211; isso quando leem. Porém, o preço de manter os livros fechados é alto demais. Diversos estudos documentam um &#8220;declínio de verão&#8221; nas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } --><a rel="attachment wp-att-507" href="http://psique.org/archives/506/livro"><img class="alignleft size-full wp-image-507" title="livro" src="/wp-content/uploads/2010/08/livro.jpe" alt="" width="249" height="202" /></a>Embora os adultos geralmente agarrem a chance de atualizar sua leitura durante as férias, muitas crianças e adolescentes, especialmente em famílias de baixa renda, leem poucos livros durante as férias de verão &#8211; isso quando leem.</p>
<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } -->Porém, o preço de manter os livros fechados é alto demais. Diversos estudos documentam um &#8220;declínio de verão&#8221; nas habilidades de leitura assim que as escolas liberam os alunos na primavera, no Hemisfério Norte.<span id="more-506"></span></p>
<p>O declínio nas habilidades de leitura e ortografia são maiores entre alunos de baixa renda, que perdem o equivalente a dois meses de escola em cada verão, segundo a National Summer Learning Association, um grupo de apoio à educação. E a perda se acumula a cada ano.</p>
<p>Agora, uma nova pesquisa oferece uma solução surpreendentemente simples e barata para o declínio de leitura no verão. Num estudo de três anos, pesquisadores da Universidade do Tennessee, em Knoxville, descobriram que simplesmente dar acesso a livros às crianças de baixa renda nas feiras da primavera &#8211; e permitir que elas escolham livros que mais as interessem &#8211; surtiu um efeito significativo na lacuna de leitura do verão.</p>
<p>O estudo, financiado pelo Departamento Federal de Educação dos EUA, acompanhou os hábitos de leitura e as notas de mais de 1.300 alunos da Flórida, vindos de 17 escolas de baixa renda. A maioria das crianças era pobre o bastante para receber almoços escolares grátis ou com desconto.</p>
<p>Os pesquisadores queriam estudar se proporcionar livros às crianças durante as férias de verão afetaria seu desempenho ao longo dos anos. No início do estudo, 852 alunos da primeira e da segunda série, selecionados aleatoriamente, compareceram a uma feira escolar de livros na primavera, onde puderam escolher entre 600 títulos.</p>
<p>Era oferecida uma variedade de livros, desde aqueles sobre celebridades como Britney Spears e &#8220;The Rock&#8221;, até histórias de personagens ficcionais como o corajoso criador de casos Junie B. Jones. As crianças também podiam escolher livros culturalmente relevantes, com personagens afro-americanos, assim como livros em espanhol.</p>
<p>As crianças escolheram 12 livros. Os pesquisadores também selecionaram aleatoriamente um grupo de controle de 478 crianças que não receberam nenhum livro. A essas crianças, ofereceram atividades livres e livros de quebra-cabeças.</p>
<p>As feiras e distribuições de livros continuaram por três verões, até que os participantes do estudo chegaram à quarta e quinta séries. Então, os pesquisadores compararam as notas de testes de leitura para os dois grupos.</p>
<p>As crianças que haviam recebido os livros grátis atingiram notas significativamente mais altas que aquelas com livros de atividades. O efeito, correspondente a 1/16 do desvio padrão em notas de testes, foi equivalente a uma criança fazer três anos de cursos de verão, segundo o relatório a ser publicado em setembro no jornal &#8220;Reading Psychology&#8221;. A diferença nas notas foi duas vezes maior entre as crianças mais pobres do estudo.</p>
<p>As descobertas chegam num momento em que muitos distritos escolares consideram cortar os programas de verão para economizar verbas, de acordo com uma recente pesquisa pela Associação Americana de Administradores de Escolas. O estudo mostrou que oferecer livros gratuitamente, por um custo de US$50 por criança, é uma maneira muito mais econômica de estimular a leitura de verão, afirmou uma co-autora do estudo, Anne McGill-Franzen, professora e diretora do centro de leitura da Universidade do Tennessee, em Knoxville.</p>
<p>Uma das descobertas mais notáveis foi que as crianças aprimoraram sua leitura mesmo sem escolher os livros do currículo escolar, ou os clássicos normalmente indicados pelos professores como leitura de verão. Essa conclusão confirma outros estudos sugerindo que as crianças aprendem melhor quando podem escolher seus próprios livros.</p>
<p>Surpreendentemente, o livro mais popular durante o primeiro ano do estudo na Flórida foi uma biografia da cantora Britney Spears.</p>
<p>&#8220;O que isso significa para mim é que existe uma cultura e uma mídia jovens que transcendem o que achamos que as crianças deveriam ler&#8221;, disse a Dra. McGill-Franzen. &#8220;Eu não acho que a maioria dessas crianças lia qualquer coisa durante o verão, mas a oportunidade de escolher seus próprios livros e discutir o que sabem sobre &#8216;The Rock&#8217; ou Hannah Montana era algo motivador para eles&#8221;.</p>
<p>Ellen Galinsky, presidente do Families and Work Institute e autora de um novo livro sobre o aprendizado infantil, &#8220;Mind in the Making&#8221;, disse esperar que as descobertas estimulem pais e professores a deixar que as crianças escolham seu próprio material de leitura.</p>
<p>&#8220;Os interesses de uma criança são uma porta para a sala de leitura&#8221;, afirmou Galinsky, acrescentando que seu próprio filho virava as costas aos livros durante a graduação. Como ele gostava de música, ela o encorajou a ler revistas de música ou livros sobre músicos. Seu filho acabou ganhando interesse na leitura e hoje possui um Ph.D.</p>
<p>&#8220;Se o seu filho não gosta de leitura, fazê-lo ler qualquer coisa é melhor do que nada&#8221;, explicou ela.</p>
<p>Porém, dar às crianças a escolha dos livros que leem é uma mensagem a que muitos pais ainda resistem.</p>
<p>Recentemente, numa livraria, a Dra. McGill-Franzen disse ter testemunhado uma conversa entre algumas mães estimulando suas filhas, da quinta e sexta séries, a ler biografias de figuras históricas, quando as meninas queriam escolher livros sobre Hannah Montana &#8211; uma personagem interpretada pela estrela adolescente Miley Cyrus.</p>
<p>&#8220;Se esses livros os fizerem ler, isso gera ótimas repercussões no sentido de deixá-los mais inteligentes&#8221;, disse a Dra. McGill-Franzen. &#8220;Professores e pais de classe média subestimam as preferências das crianças, mas eu acho que precisamos deixar de ser tão rígidos com suas escolhas em relação a livros&#8221;.</p>
<dl>
<dt><img src="http://img.terra.com.br/i/fontes/nyt-logo.gif" border="0" alt="The New York Times" width="110" height="14" align="BOTTOM" /> </dt>
<dd> The New York Times </dd>
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		<title>Musicoterapia e deficiência mental</title>
		<link>http://psique.org/archives/499</link>
		<comments>http://psique.org/archives/499#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 09 Aug 2010 18:37:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marilda Limberger</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Musicoterapia]]></category>

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		<description><![CDATA[A musicoterapia é considerada uma ciência paramédica que estuda a relação do homem com o som e a música. A influência fisiológica e psicológica do som no cérebro traz inúmeros benefícios à pessoa. Através da pesquisa sobre a vida e o ambiente ao qual está inserido o paciente, a musicoterapia busca identificar e equilibrar seu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong> </strong></p>
<div><a rel="attachment wp-att-500" href="http://psique.org/archives/499/ratotocandosax"><img class="alignleft size-full wp-image-500" title="ratotocandosax" src="/wp-content/uploads/2010/08/ratotocandosax.jpeg" alt="" width="144" height="193" /></a>A musicoterapia é considerada uma ciência  paramédica que estuda a relação do homem com o som e a música. A  influência fisiológica e psicológica do som no cérebro traz inúmeros  benefícios à pessoa. Através da pesquisa sobre a vida e o ambiente ao  qual está inserido o paciente, a musicoterapia busca identificar e  equilibrar seu ritmo interno, para possibilitar uma melhora.</div>
<div><em> </em></div>
<div><em>Sua aplicação tem ocorrido principalmente em entidades que trabalham com crianças com deficiência mental.<span id="more-499"></span></em></div>
<div><em> </em></div>
<div><strong>Gama de aplicações</strong></div>
<p>Entre as inúmeras aplicações da musicoterapia,  destaca-se o trabalho com pacientes portadores de deficiências físicas,  como paralisia e distrofia muscular progressiva. As deficiências  sensoriais (visual e auditiva) e as síndromes genéticas (Down, Turner e  Rett) também contam com essa opção como tratamento complementar.  Distúrbios neurológicos (lesões cerebrais, dislexias, disfonias, entre  outros) e doenças mentais, como esquizofrenia, depressões e distúrbio  obsessivo compulsivo também podem se beneficiar com essa terapêutica. A  musicoterapia pode ser aplicada desde a vida intra-uterina, pois  pesquisas provaram que o feto reage ao som e, por ser estimulado desde  cedo, nasce com maior capacidade de desenvolver seu potencial.</p>
<p>As principais pesquisas sobre musicoterapia têm sido  feitas em países como Estados Unidos, França, Alemanha, Noruega,  Inglaterra, Itália e Argentina, onde o uso terapêutico da música é  amplamente difundido. No Brasil, nos últimos dois anos, os benefícios  dessa terapia têm sido mais amplamente aceitos por fisioterapeutas,  fonoaudiólogos e psicólogos.</p>
<p>Sua aplicação tem ocorrido principalmente em  entidades que trabalham com crianças com deficiência mental. &#8220;A música  relaxa e tranqüiliza as crianças. Vamos usar os recursos da  musicoterapia para trabalhar os processos de linguagem. A percepção  corporal através da dança também fará parte do processo terapêutico. Com  isso, a criança passa a ter contato consigo mesma e com o outro, é uma  forma de integrá-la ao meio&#8221;, acrescenta a fonoaudióloga Adriana F. de  Souza Aquino, uma das responsáveis pela elaboração do projeto em uma  instituição que atende crianças com necessidades especiais.</p>
<div>Na educação, a musicoterapia pode auxiliar no  desenvolvimento psicopedagógico e em dinâmica de grupo em sala de aula. É  o que vem ocorrendo com os alunos da Escola Municipal de Educação  Especial de Barueri, voltada para a alfabetização de crianças e  adolescentes com deficiência mental leve e moderada. Desde o início  deste ano, a disciplina Educação Musical passou a contar com recursos de  musicoterapia. &#8220;Procuro sociabilizar o grupo através da música. A  resposta das crianças é uma coisa incrível. Dentro de suas capacidades,  elas cantam e dançam&#8221;, explica Fernanda Rodrigues dos Santos, formada em  Educação Artística, com habilitação em música, e pós-graduada em  Musicoterapia.</div>
<div><strong>Em busca da cura</strong></div>
<div><strong> </strong></div>
<p><strong> </strong></p>
<div>Além da utilização da música como  processo terapêutico, há correntes de estudiosos no assunto que voltam  seus interesses para a ação curativa de determinado som. No livro O  Poder Terapêutico da Música, do norte-americano Randall McClellan, o  autor trata os efeitos da música sobre o indivíduo como um todo. Segundo  ele, &#8220;toda música pode alterar de algum modo nosso estado de  consciência. O que não foi ainda determinado é que tipo de música afeta  nossa consciência e de que modo e, particularmente, que tipo de música é  mais útil para provocar os estados mais desejáveis para fins de cura&#8221;.  As indagações de McClellan, doutor em Filosofia em Composições Musicais  pela Eastman School of Music e também graduado no Cincinnati College  Conservatory of Music, têm sido temas de inúmeras pesquisas realizadas  principalmente nos Estados Unidos.</div>
<div>No Brasil, o interesse pelo assunto não é  menor. Segundo levantamento realizado pela Apemesp (Associação de  Profissionais e Estudantes de Musicoterapia do Estado de São Paulo), o  país conta com cerca de 1500 profissionais com formação em  musicoterapia).</div>
<div>Fonte: Autistas.org | Lucy Santos</div>
<div>Texto adaptado para publicação no site do Instituto Indianópolis.</div>


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		<title>Ciência: uma língua viva</title>
		<link>http://psique.org/archives/484</link>
		<comments>http://psique.org/archives/484#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 07 Aug 2010 05:11:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marilda Limberger</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>

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		<description><![CDATA[Especialista em educação propõe uma reformulação radical no currículo de ciências do ensino básico. &#8220;Quem tem uma experiência ruim com a matéria se magoa, não quer saber mais dela&#8221;, diz. Por: Thiago Camelo Publicado em 05/08/2010 &#124; Atualizado em 05/08/2010 Luís Carlos de Menezes, físico e especialista em educação da USP, defende – com vigor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Especialista em educação propõe uma reformulação radical no  currículo de ciências do ensino básico. &#8220;Quem tem uma experiência ruim  com a matéria se magoa, não quer saber mais dela&#8221;, diz.</p>
<p>Por: Thiago Camelo</p>
<p>Publicado em 05/08/2010                       |            Atualizado em  05/08/2010</p>
<div><a id="parent-fieldname-image" href="http://cienciahoje.uol.com.br/alo-professor/intervalo/ciencia-uma-lingua-viva/image"> <img title="Luís Carlos de Menezes, físico e especialista em educação da USP, defende – com vigor – que a forma secular de se dar aula precisa mudar (CC BY-NC 2.0 /  Wisconsin Historical Images)." src="http://cienciahoje.uol.com.br/alo-professor/intervalo/ciencia-uma-lingua-viva/image_preview" alt="Ciência: uma língua viva" width="398" height="372" /></a></div>
<div><span id="more-484"></span></div>
<div><a id="parent-fieldname-image" href="http://cienciahoje.uol.com.br/alo-professor/intervalo/ciencia-uma-lingua-viva/image"> </a>Luís Carlos de Menezes, físico e especialista em educação da  USP, defende – com vigor – que a forma secular de se dar aula precisa  mudar (CC BY-NC 2.0 /  Wisconsin Historical Images).</div>
<p>&#8220;O conhecimento que não serve para nada é pior que inútil. Você se vacina contra o conhecimento, não quer mais saber dele&#8221;.</p>
<p>A afirmação acima é de <a href="http://www.educacional.com.br/entrevistas/interativa_adultos/entrevista012.asp">Luís Carlos de Menezes</a>,  físico e especialista em ensino de ciências da Universidade de São  Paulo. Ela foi dita em conferência dada na sexta-feira passada, último  dia da <a href="http://cienciahoje.uol.com.br/especiais/reuniao-anual-da-sbpc-2010">reunião anual da SBPC</a>, em Natal (RN).</p>
<div>&#8220;Ciência é ensinada no colégio como se fosse latim, uma língua morta&#8221;</div>
<p>Em exposição que propôs um novo caminho para a aprendizagem de  ciências no ensino básico, Menezes mostrou-se – muitas vezes – indignado  com o modo como se transfere conhecimento nos colégios do país. Para  ele, &#8220;as matérias são ensinadas como se fossem latim, uma língua morta&#8221;.</p>
<p>O quer dizer isso?</p>
<p>Segundo o físico, as informações estão sendo passadas de forma  equivocada aos estudantes. A matéria seria desinteressante, chata. Pouco  útil.</p>
<p>– Há, no entanto, de se tomar cuidado com essa ideia pragmática de  &#8220;ser útil&#8221;. As coisas não precisam ter uma utilidade prática. Há  conhecimentos que não servem para nada mas dão prazer. Gastronomia e  namorar são as melhores coisas da vida. Mas não servem para nada – conta  Menezes, em entrevista por telefone pós-SBPC. E complementa. – Agora,  as aulas de ciências nos colégios não são úteis e nem prazerosas. Daí se  pensa: &#8220;Desse treco eu não quero saber&#8221;.</p>
<h3>A importância da prática</h3>
<p>Menezes diz que, quando a experiência é ruim, ela magoa. &#8220;O aluno  acaba pensando que não tem cabeça para ciências, é como se ele tivesse  sido decapitado para a matéria&#8221;.</p>
<p>A reclamação do físico é com o modelo de aula em que só o professor  age, fala, discursa. Para ele, muitas vezes se ensinam teorias que nunca  irão fazer parte da vida dos alunos. &#8220;Por que só se ensina  termodinâmica, e não se mostra o ciclo de um motor?&#8221;, questiona.</p>
<div>&#8220;Aprende quem faz, não quem ouve dizer&#8221;</div>
<p>– Apenas 1/3 da aula deveria ser de exposição do professor. Nunca  mais do que isso. É preciso que o aluno experimente, faça. Aprende quem  faz, não quem ouve dizer.</p>
<h3>A necessidade de formar professores</h3>
<p>Segundo o físico, já há pesquisas e programas de ensino que propõem  novas metodologias. A questão seria: quem vai ensinar o professor a  ensinar? &#8220;O professor, na faculdade, é formado por outro professor que  não lida com crianças desde o tempo em que estava na escola&#8221;, reflete  Menezes. &#8220;As universidades precisam ir às escolas para ver como se dá  uma aula, e não o inverso&#8221;.</p>
<p>A questão, no entanto, não seria apenas a formação do profissional.  Menezes relativiza e fala das dificuldades que o professor passa no dia a  dia.</p>
<p>– O professor tem de dar aula para, no mínimo, 10 turmas para manter  um padrão de vida razoável. Tem em média uns 600 alunos. Esse  profissional vai apenas passar por essas turmas, não vai pertencer a  elas, às escolas. Essa condição de vida compromete muito. A questão não é  só o salário, mas é também.</p>
<h3>O futuro incerto</h3>
<p>&#8220;Falta uma política pública para incentivar esses professores, para  levar o que se estuda sobre novas metodologias às faculdades&#8221;, cobra  Menezes. &#8220;Mas sei que não é uma questão apenas do ensino de ciências,  sei que ensinam história, por exemplo, da mesma maneira, ensinam coisas  para a gente esquecer&#8221;, reclama o físico – para, logo depois, perguntar  ao repórter. &#8220;Você saberia dizer o que fez <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mem_de_S%C3%A1">Mem de Sá</a>?&#8221;. Ele próprio responde às gargalhadas. &#8220;É, professor, Mem de Sá fez o possível&#8221;.</p>
<div>&#8220;Como formar professores para um mundo em que talvez  eles não existam mais?&#8221;</div>
<p>A conclusão de Menezes: existe um caminho apontado. Há boas  universidades dispostas a mudar de rumo, pessoas competentes estudando o  assunto e propondo novas ideias. A hora é de trabalhar.</p>
<p>Mas ele, apesar de bem-humorado e, de certo modo, otimista, parece sempre se lembrar de poréns.</p>
<p>– Neste momento, tenho pensado de modo um pouco mais amplo sobre  educação. Vivemos um momento muito importante da história humana. Talvez  só comparado ao início da civilização. Há uma vertigem econômica,  social, cultural. Não sabemos, por exemplo, o que vai ser considerado  trabalho daqui a vinte anos. Qual profissão vai sobreviver – lembra o  físico. E pergunta, em tom de dúvida sincera. – Como então formar  professores para um mundo em que talvez  eles não existam mais?</p>
<p><strong>Thiago Camelo</strong><br />
Ciência Hoje On-line</p>


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		<title>O estigma de cada um</title>
		<link>http://psique.org/archives/481</link>
		<comments>http://psique.org/archives/481#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 06 Aug 2010 15:04:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marilda Limberger</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Livro: GOFFMAN, Erving. Estigma: Notas sobre a manipulação da Identidade Deteriorada. Rio de Janeiro: Zahar, 1982. Erving Goffman nasceu em 11 de junho de 1922, foi um sociólogo e escritor canadense. Estudou nas universidades de Toronto (B.A. em 1945) e de Chicago (M.A. em 1949, Ph.D. em 1953). Estudou a interação social no dia-a-da, especialmente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-488" href="http://psique.org/archives/481/festa"><img class="alignleft size-medium wp-image-488" title="festa" src="/wp-content/uploads/2010/08/festa-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a></p>
<p>Livro: GOFFMAN, Erving. <strong>Estigma: </strong>Notas sobre a manipulação da Identidade Deteriorada. Rio de Janeiro: Zahar, 1982.</p>
<p><em> </em>Erving Goffman nasceu em 11 de junho de 1922, foi um sociólogo e escritor canadense. Estudou nas universidades de Toronto (B.A. em 1945) e de Chicago (M.A. em 1949, Ph.D. em 1953). Estudou a interação social no dia-a-da, especialmente em lugares públicos, principalmente no seu livro &#8220;A Representação do Eu na Vida Cotidiana&#8221;. Para Goffman, o desempenho dos papéis sociais tem a ver com o modo como cada indivíduo concebe a sua imagem e a pretende manter. Estudou também com especial atenção o que chamava de &#8220;instituições totais&#8221;, lugares onde o indivíduo era isolado da sociedade, tendo todas as suas atividades concentradas e normalizadas. Podem-se citar com exemplo as prisões, os manicômios, os conventos e algumas escolas internas.<span id="more-481"></span></p>
<p>A obra <em>Estigma: Notas sobre a manipulação da Identidade deteriorada</em> é uma interessante viagem pela situação de indivíduos incapazes de se confinarem aos padrões normalizados da sociedade, são indivíduos com deformações físicas, psíquicas ou de caráter, ou com qualquer outra característica que os torne aos olhos dos outros diferentes e até inferiores e que lutam diária e constantemente para fortalecer e até construir uma identidade social.</p>
<p>Goffman analisa nesta obra, os sentimentos da pessoa estigmatizada sobre si própria e a sua relação com os outros ditos &#8220;normais&#8221;. Explora a variedade de estratégias que os estigmatizados empregam para lidar com a rejeição alheia e a complexidade de tipos de informação sobre si próprios que projetam nos outros. Este livro, entretanto, ocupa-se especificamente com a questão dos contatos mistos, os momentos em que os estigmatizados e os normais estão na mesma situação social, ou seja, na presença física imediata um do outro, quer durante uma conversa, quer na mera presença simultânea numa reunião informal.</p>
<p>Esta obra é um conjunto de notas sobre comportamentos desviantes que Goffman mantinha para as suas aulas de Sociologia do Desvio no Departamento de Sociologia da Universidade da Califórnia nos anos 60. Durante a leitura destas notas denota-se alguma simpatia pela situação dos estigmatizados e talvez algum do seu interesse neste tema seja pelo fato de Erving Goffman ser judeu, apesar de não se considerar um.</p>
<p>O estigma, a socialização dos estigmatizados, a manipulação da informação sobre o seu defeito e as reações encontradas em situações de integração social são descritas e analisadas ao longo de 158 páginas divididas em cinco capítulos. Os primeiros quatro capítulos analisam a forma pela qual controlamos a circulação de informação que nos poderá desacreditar. O quinto capítulo foca o desvio em si e desafia o estudo do comportamento desviante como uma legítima subdivisão da sociologia. Goffman, para continuar a fazer fé ao seu estilo, não apresenta qualquer capítulo de conclusões nem um anexo metodológico.</p>
<p>No primeiro capítulo é proposta a definição de Estigma, que não é um atributo pessoal, mas uma forma de designação social e a análise da sua relação com a identidade social de cada um. Há três tipos de estigmas: por deformidades físicas; por moralidades e por linhagem de raça, nação e religião.</p>
<p>O segundo capítulo encontra-se organizado por nove pontos nos quais Goffman se ocupa do Controle da Informação e Identidade Pessoal. Começa por salientar a diferença entre o indivíduo desacreditado e o desacreditável, isto é, entre aquele que apresenta aos normais uma discrepância visível entre a sua identidade social real e a sua identidade virtual e entre aquele cujo estigma ou &#8220;defeito&#8221; não é imediatamente visível nem ainda conhecido pelos outros. A Informação Social é transmitida pela própria pessoa a quem se refere, através de símbolos. Goffman divide os símbolos em três tipos: símbolos de prestígio, símbolos de estigma e desidentificadores (símbolos que tendem a quebrar uma imagem lançando sérias dúvidas sobre a validade da identidade virtual). O terceiro ponto trata da Visibilidade do estigma, ou seja, até que ponto o estigma comunica o que o indivíduo realmente é ou possui. A exposição de Goffman segue então no próximo ponto para a análise específica do conceito de Identidade Pessoal, pois o estigma é influenciado pelo fato de conhecermos ou não, pessoalmente o indivíduo estigmatizado e para a apresentação do que Goffman entende por Biografia do indivíduo (quinto ponto). No sexto ponto, Os Outros como Biógrafos, é tratado o fato dos &#8220;normais&#8221; conhecerem ou não pessoalmente o indivíduo estigmatizado, regulando este fato as experiências que mantêm acerca do mesmo e as biografias que elaboram para ele. No ponto seguinte, Goffman ocupa-se do Encobrimento do estigma e dos diversos tipos de ameaças à identidade social virtual que a revelação do encobrimento pode desencadear. Avança depois para a análise das diversas Técnicas de Controle de Informação usadas pelos indivíduos que pretendem ocultar um defeito secreto. O nono e último ponto deste capítulo trata da questão do Acobertamento por parte de estigmatizados com defeitos conhecidos, imediatamente visíveis ou passíveis de serem detectados facilmente.</p>
<p>No terceiro capítulo da obra fala-se do Alinhamento Grupal e Identidade do Eu, o capítulo se inicia explicando a diferença entre identidade social e a identidade pessoal, sendo que a primeira nos permite considerar a estigmatização e a segunda o papel na manipulação do estigma, enquanto que no capítulo seguinte, Goffman estuda o conceito do Eu e o seu Outro, ou seja, a situação específica do estigmatizado e a sua resposta à situação em que se encontra, vai se referir ao estigmatizado e o normal como sendo parte um do outro, um processo social de dois papéis no qual cada individuo participa de ambos.</p>
<p>No último capítulo, intitulado Desvios e Comportamento Desviante, Goffman explica um conceito relevante que é o de comportamento desviante, que significa que um membro do grupo não adere às normas analisando a relação entre os estigmatizadores e os comportamentos desviantes, sugerindo em conclusão o estudo dos casos desviantes como um campo específico da disciplina.</p>
<p>Goffman faz uma grande apologia aos indivíduos estigmatizados que sofrem preconceitos por parte da sociedade na qual vivem. O estigma é motivo de exclusão social, olhares desconfiados e fala às escondidas.</p>
<p>Os ditos &#8220;normais&#8221; se acham no direito de apontar o dedo e julgar essas pessoas de acordo com os seus valores de normalidade. Assim cria-se uma expectativa sobre estas pessoas esperando um tipo de comportamento já programado.</p>
<p>Goffman os defende de maneira a expor os tipos de estigmas, as características centrais de suas vidas, os tipos de socialização e contatos com a sociedade, as vitimizações e as privações.</p>
<p>De qualquer forma, esses fatores causam muito sofrimento ao indivíduo estigmatizado, que acaba por se isolar da sociedade e, assim, perdendo a motivação para modificar seu estilo de vida.</p>
<p>Ao tentar uma aproximação, um contato, eles encontram várias barreiras para conseguirem fazê-los. Quando não conseguem vem a culpa pelo fracasso, surgindo decisões como: esconder o estigma; trocar de nome; a conscientização de que não podem ser eles mesmos, tendo que aprender a serem diferentes e encontrar uma segunda maneira de ser; e, acabam por perder a sua identidade se tornando um objeto da sociedade.</p>
<p>Portanto, os indivíduos que têm um estigma, sobretudo os que têm um defeito físico, podem precisar aprender a estrutura da interação para conhecer as linhas ao longo das quais devem reconstruir a sua conduta se desejam minimizar a intromissão de seu estigma. (GOFFMAN, 1982, p.115)</p>
<p>Não podemos deixar de lembrar do estigma dos &#8220;normais&#8221;: o de preconceituosos. Algumas pessoas ainda têm receio de se relacionar com os portadores de algum estigma, elas precisam se informar mais a respeito desse assunto e, se possível, mudarem de opinião.</p>
<p>O relacionamento entre indivíduos estigmatizados e indivíduos &#8220;normais&#8221; deve ser como se fosse uma espécie de trato, em que o estigmatizado se sinta inteiro participante da socialização, sem temer ou sofrer nenhum tipo de preconceito; e, para os &#8220;normais&#8221; não ficarem distantes, devem desenvolver habilidades para aprender a conviver e interagir com eles, não se sentindo, com isso, limitados, mas sim integrados.</p>
<p>Esta obra se destina a todos que se interessem pelas dificuldades dos estigmatizados, ou aos que querem aprender a se relacionar com eles de uma forma a não emitir mais estigmas. Seria importante que todas as pessoas tomassem conhecimento desta obra, para que assim fizessem um exame de consciência e de realidade o que favorece a quebra de preconceitos e a modificação dessa visão, promovendo o respeito mútuo entre as pessoas.</p>
<p><strong>Autora:Tatiana Lima Ferreira </strong><br />
<strong> <a href="http://www.webartigos.com/articles/5006/1/O-Estigma-De-Cada-Um/pagina1.html"><em>O Estigma De Cada Um</em></a> publicado 26/03/2008 por <a href="http://www.webartigos.com/authors/1922/TATIANA-LIMA-FERREIRA"><strong>TATIANA LIMA FERREIRA</strong></a> em <a href="http://www.webartigos.com/">http://www.webartigos.com</a></strong></p>
<div>Fonte:  <a href="http://www.webartigos.com/articles/5006/1/O-Estigma-De-Cada-Um/pagina1.html#ixzz0vq0RdKUd">http://www.webartigos.com/articles/5006/1/O-Estigma-De-Cada-Um/pagina1.html#ixzz0vq0RdKUd</a></div>
<div>Relacionados (clique no livro para visualizar ou adquirir no submario):</div>
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